Família de jovem absolvida planeja ação reparatória contra o Poder Público após morte por câncer
Damaris Vitória Kremer da Rosa faleceu aos 26 anos, três meses após ser inocentada de homicídio
Publicado em 05/11/2025 às 11:14
Capa Família de jovem absolvida planeja ação reparatória contra o Poder Público após morte por câncer

Os familiares de Damaris Vitória Kremer da Rosa, que faleceu de câncer de útero aos 26 anos no final de outubro, estão preparando um processo reparatório contra o Poder Público. A jovem passou seis anos sob prisão preventiva, à espera de julgamento por coautoria em um homicídio no Noroeste Gaúcho, crime do qual foi absolvida por falta de provas.

A advogada da família informou ao site G1 que está finalizando os detalhes da ação de indenização, cujo alvo é o Governo do Rio Grande do Sul. A tramitação do caso envolveu as instituições da Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário gaúcho.

O caso e a prisão preventiva

Damaris faleceu no balneário de Arroio do Silva (Litoral Sul catarinense) no dia 26 de outubro. A luta dela contra o câncer de colo de útero começou a manifestar sintomas durante o longo período em que ficou presa preventivamente.

O caso remonta a novembro de 2018, em Salto do Jacuí. Após Damaris, então com 19 anos, supostamente ter sido vítima de estupro, seu namorado e um conhecido teriam buscado "justiça com as próprias mãos". O suposto abusador foi morto a tiros e teve o corpo incinerado dentro de um carro.

Em julho de 2019, a Polícia Civil indiciou o trio. Damaris foi presa preventivamente em agosto de 2019 e permaneceu em diferentes instituições penitenciárias até abril de 2025, quando obteve a prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, na residência de sua mãe em Santa Catarina.

Julgamento e pedidos negados

O caso foi a júri em agosto de 2025. O namorado de Damaris foi condenado, mas ela e o outro réu foram inocentados por falta de provas que os ligassem ao crime.

Durante o período em que esteve encarcerada, a defesa de Damaris tentou diversas vezes a revogação da prisão, alegando que ela apresentava sangramento vaginal e dor na região pélvica.

Os pedidos de soltura por motivos de saúde, no entanto, foram negados pela Justiça, baseados em pareceres contrários dos promotores que apontavam a falta de diagnósticos comprobatórios de câncer ou outra doença grave na época.

Fonte: G1-RS

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