O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, cumpriu agendas nesta semana nas regiões Norte e Missões para tratar de crises na gestão hospitalar e do avanço da violência contra a categoria.
Em Frederico Westphalen, o cenário é de alta tensão após o afastamento de um dirigente sindical que havia denunciado precariedades no atendimento.
Segundo apurado, houve a rescisão do contrato do médico Milton Rocha. Além de prestar serviços no hospital, ele é conselheiro e delegado sindical. A dispensa ocorreu no dia 9 de abril, após ele e o vice-presidente do Simers, Felipe Vasconcelos, irem ao Ministério Público alertar sobre a falta de insumos e os atrasos nos pagamentos. Na mesma semana, uma Assembleia Geral Extraordinária havia aprovado a paralisação, caso não houvesse a quitação dos honorários em 60 dias.
Em um gesto de solidariedade e protesto contra o que classificam como retaliação política, aproximadamente 20 médicos que atuavam em regime de sobreaviso pediram demissão coletiva.
O dirigente reforçou que o Código de Ética Médica obriga o profissional a reportar irregularidades e que o sindicato não aceitará perseguições contra quem cumpre esse dever.
"O Simers encaminhou ofício ao prefeito Orlando Girardi, à interventora do Divina Providência,Lisete Cristina Bison, e ao diretor técnico, Cristiano Giovenardi, advertindo da ilegalidade do ato, que possui caráter retaliatório e constitui prática antissindical. Diante disso, o Sindicato solicita que a notificação da rescisão seja tornada sem efeito e que o hospital se abstenha de qualquer represália contra o profissional", afirmou o Sindicato.
Sindicato alerta para "epidemia" de ataques digitais e uso político da saúde
Além das agressões físicas — que atingiram o recorde histórico de 12 casos diários no Brasil em 2024 —, o Simers prepara uma campanha focada no combate à violência digital. Marcelo Matias criticou o uso de crises na saúde para fins eleitorais, citando que muitos ataques virtuais e exposições indevidas de médicos são motivados por interesses políticos.
O dirigente mencionou episódios graves, como a agressão a um profissional por guardas municipais em Novo Hamburgo, e ressaltou que a categoria está mobilizada contra o assédio moral e virtual.
Gestão de escalas e fixação de médicos são debatidas em Santo Ângelo e Cruz Alta
A agenda do sindicato também abrangeu as cidades de Santo Ângelo e Cruz Alta, onde o foco recai sobre a organização das escalas em especialidades críticas, como pediatria e obstetrícia.
O Simers investiga relatos de profissionais locais que enfrentam dificuldades para acessar plantões, enquanto as administrações optam pela contratação de médicos de outras regiões.
O objetivo das reuniões é garantir que as escalas sejam preenchidas preferencialmente por médicos vinculados aos municípios, estratégia considerada essencial para a estabilidade do atendimento e para a fixação de especialistas no interior do Rio Grande do Sul.
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