Foto de Arquivo LA+
A redução de 5,6% no preço da gasolina anunciada pela Petrobras na última semana terá impacto modesto — ou até imperceptível — para o consumidor final nos postos de combustíveis. A avaliação é do presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Rio Grande do Sul (Sulpetro-RS), João Carlos Dal’Aqua, que vê a medida mais como um movimento político do que econômico.
– Esse percentual de redução já vinha sendo comentado pela presidência da Petrobras, mas é difícil entender o objetivo real, pois neste momento o preço dos combustíveis no Brasil já está em paridade com o mercado internacional 0, destacou Dal’Aqua. “Pode haver alguma motivação política, até por conta da dificuldade de implementação de novas taxações como o IOF.”
A queda anunciada pela estatal vale apenas para as distribuidoras. A partir daí, o valor é acrescido de 27% de tributos antes de chegar às bombas. Por isso, o efeito direto nas bombas dependerá do repasse feito pelas distribuidoras e pela dinâmica de mercado entre os postos.
– É uma cadeia. Primeiro, a Petrobras reduz para a distribuidora, depois vem o imposto, depois o preço repassado ao posto. Muitas vezes, o mercado já pratica descontos antes mesmo de um anúncio oficial, pela concorrência –, explicou o dirigente. “No fim das contas, se tudo for repassado, pode significar algo em torno de R$ 0,10 a menos no litro, e olhe lá.”
Dal’Aqua lembra ainda que o Rio Grande do Sul já tem um dos preços mais baixos da região Sul do Brasil. “Segundo dados da ANP, estamos abaixo dos preços médios praticados em Santa Catarina e no Paraná”, afirmou.
Consumo estagnado e peso da crise
O dirigente da Sulpetro-RS aproveitou para traçar um panorama do setor de combustíveis no Estado. Segundo ele, o consumo está estável — ou “andando de lado”, como definiu — com retração na gasolina e leve crescimento no diesel, puxado pelo agronegócio.
– O Rio Grande do Sul enfrenta um cenário difícil, com efeitos ainda da pandemia e, mais recentemente, das enchentes. Isso compromete a logística, o consumo e o ânimo do setor produtivo –, disse. “A quebra da safra e o endividamento da população impactam diretamente o consumo de combustíveis. As pessoas estão escolhendo onde gastar, e o combustível entra nessa equação.”
Mesmo com o crescimento da frota e a popularização de alternativas como veículos elétricos e transporte por aplicativo, o setor sofre com a falta de estímulos para expansão. “O Estado precisa se reorganizar. O agro é a base da nossa economia, e os prejuízos da safra pesam no setor. É fundamental que o governo incentive o novo plantio, senão os efeitos negativos vão se prolongar até 2026”, alertou Dal’Aqua.
Apesar da queda no valor da gasolina para as distribuidoras, o presidente da Sulpetro-RS acredita que o movimento terá mais valor estatístico, ajudando a conter a inflação, do que prático no bolso do consumidor. “O consumidor olha o preço na bomba. Ele não acompanha essas variações de mercado, ele quer pagar menos, e muitas vezes não é o que acontece mesmo após uma redução da Petrobras.”
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