O Hospital Divina Providência (HDP) de Frederico Westphalen encerrou o ciclo da atual diretoria com a aprovação unânime da prestação de contas em Assembleia Geral Ordinária realizada na última terça-feira, dia 30 de setembro. Apesar de avanços, como a quitação dos salários dos servidores, os dirigentes reforçam a gravidade da situação financeira da instituição, agravada pela redução drástica nos repasses federais.
A presidente do HDP, Silvia Regina Canan, ressaltou que o ano foi um dos mais desafiadores para a instituição. “Em 2024, até junho, havíamos recebido mais de R$ 3 milhões em emendas parlamentares. Já em 2025, no mesmo período, esse valor caiu para apenas R$ 300 mil. Essa diferença comprometeu totalmente o nosso caixa”, explicou.
Ela destacou que, mesmo diante das dificuldades, a prestação de contas foi aprovada por unanimidade, “porque, embora os números não sejam positivos, são reais e auditados com total transparência”. O diretor administrativo, Luis Eduardo Bertoldi, detalhou os impactos do fluxo de caixa sobre os fornecedores e colaboradores.
– O hospital sempre trabalhou com uma margem muito estreita. Quando os repasses caíram, ficamos sem fôlego. Negociamos com fornecedores, médicos e terceirizados para manter o atendimento. Infelizmente, chegamos a atrasar parte dos salários, mas isso foi consequência direta da falta de recursos, não de má gestão –, afirmou.

Segundo o vice-presidente do HDP, Alessandro Mees, a instituição representa não apenas um centro de saúde, mas também um motor econômico regional. “O hospital é uma das maiores empresas da cidade, com mais de 300 colaboradores. Mas, como mais de 80% do atendimento é via SUS, cada procedimento gera déficit. O hospital não existe para dar lucro, mas seria mais justo se ao menos conseguíssemos empatar as contas. Sem emendas e aportes municipais, a conta simplesmente não fecha”, alertou.
O endividamento da instituição, segundo Silvia, gira em torno de R$ 17 milhões, concentrado principalmente em impostos. “Não temos dívidas bancárias significativas. Nosso maior desafio está em impostos como INSS e FGTS, que já estão sendo renegociados em programas do governo. Sempre trabalhamos com transparência, prestando contas à comunidade, ao conselho e à prefeitura. Nossa diretoria foi voluntária e zelou para que os nomes de todos saiam limpos desse processo”, destacou a presidente.
Apesar das dificuldades, os dirigentes garantem que o atendimento hospitalar não foi interrompido em nenhum momento. “Os profissionais sofreram com os atrasos, mas permaneceram ao nosso lado. Nós sempre reforçamos: estamos todos no mesmo barco”, concluiu Silvia.
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