Brigada Militar intensifica operações e reforça atuação regional sob nova liderança
À frente do 37º Batalhão de Polícia Militar há 60 dias, major Nedia Giacomini destaca ações estratégicas, Operação Perturbação do Sossego e a importância do apoio da comunidade na segurança pública
Publicado em 24/07/2025 às 09:19
Capa Brigada Militar intensifica operações e reforça atuação regional sob nova liderança

Com 60 dias de comando à frente do 37º Batalhão de Polícia Militar (BPM), a major Nedia Giacomini traçou um panorama das principais ações da corporação na região em entrevista à Rádio Luz e Alegria. A oficial, com mais de duas décadas de atuação na Brigada Militar, assumiu o comando do batalhão que responde por 15 municípios do Noroeste gaúcho.

– Não estamos reinventando a roda. Damos continuidade a um trabalho construído há anos com muito empenho e profissionalismo. Nosso objetivo é seguir qualificando o serviço prestado à comunidade –, destacou a major.

Entre as ações mais recentes, a Operação Perturbação do Sossego se destacou nos municípios de Frederico Westphalen e Ametista do Sul, com foco no combate a ruídos excessivos em áreas residenciais e comerciais durante os finais de semana.

– Sabemos que o barulho incomoda, mas a Brigada atende uma diversidade de ocorrências, desde conflito indígena até roubo de carga. Às vezes, não conseguimos atuar em todas ao mesmo tempo –, explicou. A comandante reforçou, ainda, que o apoio da comunidade é essencial. “O cidadão precisa registrar a ocorrência. O policial militar não pode ser a parte ativa nesse processo”, enfatizou.

A major também defendeu a revisão dos Códigos de Postura dos municípios. “É preciso que os municípios regulamentem horários de funcionamento de bares e estabelecimentos próximos a zonas residenciais. Isso é papel do Poder Executivo e do Legislativo local, com participação da sociedade civil e do Ministério Público”, afirmou.

Na operação, a Brigada contou com apoio da Polícia Ambiental — responsável por medições sonoras — e do Conselho Tutelar. A presença de adolescentes em espaços inadequados chamou atenção da comandante: "Há uma omissão preocupante dos pais. O Conselho Tutelar não pode assumir um papel que é, primordialmente, da família”, criticou.

Sobre os índices criminais, Nédia ressaltou que a região apresenta baixos números de homicídios e que o planejamento da atuação policial se baseia em dados. “Usamos softwares para mapear os chamados ‘pontos quentes’. Por isso, precisamos dos registros formais das ocorrências, que fundamentam nossa estratégia de policiamento.”

Ela também abordou críticas relacionadas ao patrulhamento ostensivo. “Não estamos ‘dando voltinha’. Atuamos com metodologia. Cada rota é pensada com base em estatísticas e georreferenciamento. Nossos policiais são técnicos e seguem planejamento preciso”, esclareceu.

A comandante falou ainda sobre os equipamentos usados pela tropa, destacando as chamadas armas de menor potencial ofensivo, como tasers e spray de pimenta. “A doutrina atual exige que o policial atue com equilíbrio. O uso da força é sempre moderado e proporcional”, afirmou.

Questionada sobre casos isolados de abuso de autoridade no estado, como o caso de um policial que executou um homem algemado, a major foi taxativa:

– Foi uma execução, e a Brigada Militar não compactua com esse tipo de conduta. As imagens comprovam o erro, e os envolvidos foram responsabilizados. A corporação tem um compromisso com os direitos humanos e com a lei –, completou.

Para Nedia, o desafio do comando é constante e coletivo: “A segurança pública não é tarefa exclusiva da Brigada Militar. Ela começa dentro de casa, passa pelas escolas, pela legislação municipal e pelo engajamento de todos. Só assim manteremos a qualidade de vida que temos na nossa região.”

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