MPF pede cassação de diploma de prefeito eleito de Ametista do Sul por abuso de poder
Parecer do Ministério Público Federal aponta uso eleitoral de emenda parlamentar às vésperas da eleição, o que teria desequilibrado a disputa
Publicado em 29/09/2025 às 13:49
Atualizado em 29/09/2025 às 14:11
Capa MPF pede cassação de diploma de prefeito eleito de Ametista do Sul por abuso de poder

Foto de Divulgação

O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional Eleitoral no Rio Grande do Sul, emitiu parecer favorável à cassação do diploma do prefeito eleito de Ametista do Sul nas eleições de 2024, Gilmar da Silva (PDT). A manifestação, de 11 de setembro, aponta abuso de poder político e econômico na utilização de uma emenda parlamentar como instrumento de propaganda eleitoral.

O caso foi iniciado por uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ajuizada pelo Partido Liberal (PL) e por Paulo Mezzaroba. A ação contesta a divulgação de uma emenda de R$ 60 mil, destinada pelo deputado estadual Eduardo Loureiro (PDT) para a reforma de uma igreja na comunidade de Linha Alta, no interior do município. O recurso foi anunciado em 30 de setembro de 2024, apenas seis dias antes do pleito.

Uso eleitoral de verba pública

O MPF argumenta que o ofício encaminhado à comunidade exaltava o nome de Gilmar da Silva, apresentando-o como “grande liderança do município” e responsável pelo pedido da verba.

Para a Procuradoria, a divulgação da emenda tão próxima à eleição desequilibrou a disputa, que terminou com a vitória de Gilmar por uma margem apertada de 46 votos.

Apesar de a primeira instância ter julgado a ação improcedente, o MPF destacou que o anúncio não teve caráter administrativo, mas sim eleitoral, afrontando o princípio constitucional da impessoalidade e configurando abuso.

O procurador regional eleitoral, Cláudio Dutra Fontella, ressaltou que, mesmo sem prova de participação direta, o prefeito eleito foi beneficiado pela conduta e deve ter o diploma cassado, conforme jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O processo segue em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS).

Confira na íntegra a manifestação do Ministério Público Federal abaixo:

Fonte: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

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