Em um evento comemorativo realizado na manhã desta sexta-feira, 25 de julho, a Casa Familiar Rural (CFR) de Frederico Westphalen celebrou 24 anos de atuação na formação de jovens do meio rural. A solenidade, que reuniu cerca de 150 pessoas no salão comunitário do bairro Aparecida, marcou não apenas o encerramento do primeiro semestre letivo de 2025, mas também destacou a importância da instituição para o desenvolvimento regional.
A diretora da CFR, Dulcinéia Zonta, falou com entusiasmo sobre a trajetória da escola, que desde 2001 atua com a pedagogia da alternância, sistema que permite ao aluno conciliar o aprendizado técnico com a vivência prática na propriedade rural da família.
– Comemoramos hoje uma história muito bonita que começou em 2001 com cursos de qualificação em agricultura familiar. Em 2006, conquistamos o Ensino Médio, o que permitiu aos nossos jovens continuar os estudos e muitos deles seguiram para a universidade, sempre com o objetivo de retornar com conhecimento para aplicar na sua propriedade –, destacou Dulcinéia.
Segundo a diretora, 340 alunos já passaram pela Casa Familiar, e cerca de 75% deles permanecem no meio rural.
“Temos jovens que adquiriram suas próprias terras, que retornaram qualificados e continuam fortalecendo a agricultura familiar. Isso mostra que estamos cumprindo nossa missão de estimular a sucessão rural”, afirmou.
A CFR de Frederico Westphalen integra a metodologia francesa da pedagogia da alternância, em que os estudantes passam uma semana em regime de internato na escola e, na semana seguinte, aplicam os conhecimentos adquiridos em suas propriedades. A proposta valoriza a formação integral, com foco tanto nas disciplinas acadêmicas quanto no desenvolvimento de responsabilidade, organização e trabalho em equipe.
– Eles aprendem que organização e disciplina fazem parte da vida no campo e da gestão da propriedade. A partir do momento que sabem cuidar do próprio quarto, vão saber cuidar da sua atividade econômica –, exemplificou Dulcinéia.

Neste ano, uma mudança significativa vem sendo notada: o aumento da participação feminina. Das 30 matrículas no primeiro ano, 13 são de meninas — algo considerado um avanço no processo de permanência da juventude rural, independentemente do gênero.
A diretora destacou também a importância da tecnologia no processo de atração e fixação do jovem no campo.
“Se estivéssemos ainda com as mesmas dificuldades do passado, como no tempo dos nossos pais, não teríamos tantos jovens interessados. A modernização das propriedades e o acesso à informação tornaram o campo mais atrativo e menos penoso, o que fortalece a permanência rural”, explicou.
O presidente da Associação da CFR, Francisco Trevisol, também celebrou a data e destacou os desafios do futuro.
– Lembro com emoção do dia 25 de julho de 2001, quando inauguramos a escola com a presença do então governador. De lá pra cá, muito evoluímos, mas seguimos com o compromisso de nos manter atualizados e buscar sempre novos parceiros para dar continuidade a esse trabalho fundamental para o nosso meio rural –, afirmou.
O evento contou ainda com a presença de ex-alunos como Pelegrin, que hoje atua como monitor na instituição.
“A Casa Familiar me formou e hoje sou parte da equipe que forma outros jovens. Nosso maior papel é mostrar que a sucessão no campo é possível e necessária, e que o conhecimento e a valorização da propriedade rural são caminhos viáveis para o futuro”, comentou.
A comemoração dos 24 anos da CFR coincidiu com o Dia do Colono e do Motorista, o que reforçou o simbolismo da data para a comunidade agrícola. A expectativa agora é pela celebração das bodas de prata em 2026, coroando um quarto de século de contribuição à formação rural sustentável na região.
A comunidade pode conhecer mais sobre o trabalho da instituição visitando a sede localizada na Vila Faguense ou acompanhando as atividades pelas redes sociais da escola.
“Casa Familiar Rural é escola, é casa, é família. É um projeto de amor ao campo e ao futuro dos nossos jovens”, finalizou Dulcinéia.
Publicado por
