A pesquisadora Sidia Witter, do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Seapi, apresentou no XIV Encontro sobre Abelhas, em Ribeirão Preto (SP), resultados de um estudo que avalia o risco de chegada da mamangava europeia, a espécie Bombus terrestris, ao Rio Grande do Sul.
Considerada uma das espécies invasoras mais preocupantes para o Cone Sul (já introduzida no Chile e registrada na Argentina), a B. terrestris pode causar graves impactos ambientais onde se estabelece, como:
Competição com espécies nativas.
Alteração da polinização de cultivos.
Transmissão de patógenos.
Fatores ambientais e monitoramento
Os estudos apresentados revelam que, nos últimos 20 anos (2000–2024), houve uma redução de cerca de 23% nas áreas de campo nativo na faixa de fronteira entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai.
Essa redução, associada à expansão das lavouras (principalmente soja), afeta os habitats das mamangavas nativas, mas também pode atuar como uma barreira ecológica à dispersão da espécie invasora.

Desde março de 2025, o DDPA/Seapi desenvolve um projeto de monitoramento de populações nativas de Bombus em áreas estratégicas da fronteira Brasil–Uruguai. As equipes realizam expedições bimestrais para identificar as espécies de mamangavas e as plantas visitadas em pontos considerados potenciais rotas de entrada da B. terrestris.
A pesquisa inicial reforça a importância da conservação das mamangavas do bioma Pampa e da ampliação de estudos sobre estratégias de prevenção à chegada da espécie invasora ao território brasileiro.
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