Foto de Leandro Filipin Vezzosi, extensionista da Emater/RS-Ascar
O setor agrícola do Rio Grande do Sul enfrenta desafios significativos devido às chuvas persistentes e volumosas. O plantio do trigo, carro-chefe da safra de inverno, avançou apenas 2%, atingindo 39% da área prevista de 1.198.276 hectares. O atraso é atribuído a volumes pluviométricos próximos a 300mm em grande parte da região produtora, conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira, 26.
Em lavouras de trigo recém-semeadas, observam-se perdas por erosão, encharcamento e compactação superficial, especialmente nas fases de germinação e emergência. Embora a maioria dos danos seja por erosão laminar e não exija replantio generalizado, áreas com solo mais arenoso ou relevo inferior podem necessitar de nova semeadura.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, as lavouras de trigo foram severamente afetadas, com estimativa de replantio em áreas com alagamentos e erosões que arrastaram sementes e fertilizantes. O potencial produtivo na região está reduzido. Em Ijuí, a erosão foi intensa em áreas com pouca cobertura de palha, sendo mitigada onde houve semeadura de culturas outonais.
Situação das culturas de inverno
Aveia-branca: O avanço da semeadura e os tratos culturais foram prejudicados pelas chuvas. A cultura apresenta desenvolvimento vigoroso, mas com folhas verde-pálidas devido à baixa luminosidade. Na região de Ijuí, a semeadura foi finalizada, com registros de acamamento em lavouras avançadas. A projeção é de 401.273 hectares plantados e produtividade de 2.254 kg/ha.
Canola: A semeadura foi interrompida, mas a maioria dos produtores já havia concluído o plantio. Os altos volumes de chuva dificultaram a emergência das plantas. Em Frederico Westphalen, 65% da área está em fase vegetativa e 35% em floração. Em Santa Maria, 92% da área foi semeada, principalmente em desenvolvimento vegetativo. Na região de Soledade, a semeadura foi finalizada, mas houve perdas de fertilidade do solo por erosão hídrica. A Emater/RS-Ascar projeta 203.206 hectares cultivados e produtividade de 1.737 kg/ha, um aumento significativo em relação à safra passada.
Cevada: A semeadura foi suspensa temporariamente. Lavouras já estabelecidas apresentam desenvolvimento satisfatório, sem danos significativos. Na Região Norte, onde se concentra a maior área cultivada, os volumes pluviométricos foram menores, sem enxurradas que comprometessem o estande ou a sanidade. A projeção para a Safra 2025 é de 27.337 hectares cultivados e produtividade de 3.198 kg/ha.
Culturas de verão
Soja: A colheita foi concluída. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 6.770.405 hectares, com produtividade de 1.957 kg/ha e produção total de 13.252.227 toneladas na Safra 2024/2025.
Milho: Os trabalhos de colheita foram interrompidos pelas chuvas contínuas, que também afetam a qualidade dos grãos, aumentando a incidência de fungos. Áreas remanescentes em minifúndios, com colheita manual, ainda esperam as condições melhorarem.
Feijão 2ª safra: As lavouras não colhidas (cerca de 2% do total) foram severamente afetadas. Em muitas áreas, a colheita tornou-se inviável devido à deterioração e germinação pré-colheita em vagens de plantas maduras, comprometendo a qualidade comercial. A alta umidade e a permanência dos grãos em condições saturadas favoreceram a proliferação de microrganismos.
Pastagens e criações
As chuvas e temperaturas mais baixas favoreceram o crescimento de forrageiras cultivadas, mas a falta de sol dificultou o pastejo e causou o apodrecimento das folhas. A semeadura de cereais de inverno para silagem avança como estratégia para alimentar o rebanho. O crescimento de pastagens nativas reduziu devido ao frio e solo encharcado, levando à transferência de animais para essas áreas para preservar as pastagens cultivadas.
Bovinocultura de Corte: O tempo frio e chuvoso diminuiu o conforto animal e o ganho de peso. Suplementação alimentar e uso de pastagens de inverno foram necessários. O manejo sanitário permanece intenso, com redução na incidência de carrapatos. A comercialização segue aquecida para animais de reposição e prenhes, com expectativa de valorização para animais de melhor qualidade.
Bovinocultura de Leite: O excesso de chuvas e o frio intenso das últimas semanas reduziram a produção de leite e dificultaram o manejo das pastagens. A falta de sol prejudicou o pastejo e causou apodrecimento de folhas, afetando a alimentação. Condições climáticas exigem maior atenção a problemas de casco, mastite e doenças respiratórias, além de reforço nutricional e sanitário, especialmente em sistemas menos estruturados.
Ovinocultura: Na região de Bagé, os rebanhos enfrentam estresse severo devido às chuvas, com perdas de escore corporal e mortes. Há aumento de problemas de casco e necessidade de manejo em áreas mais drenadas. Em Soledade, ovinos permanecem no campo nativo. Inicia a parição de cordeiros, com baixa oferta de animais para abate e pouca comercialização de lã.
Apicultura: Chuvas e frio intenso diminuíram a atividade das abelhas, floradas e produção de mel. Houve declínio populacional e confinamento de enxames, além da necessidade de suplementação alimentar. Produtores de Erechim buscam unificação de colmeias e manejo preventivo. Em Frederico Westphalen, técnicas de controle térmico foram adotadas. Em Pelotas, a colheita de mel está em fase final, com produtividade variando pela mortalidade de enxames. Em Santa Rosa, iniciou o fornecimento de alimentação
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