Família de Três de Maio é exemplo de sustentabilidade e conservação do solo
Práticas de terraceamento e curvas de nível garantem produtividade recorde e resiliência contra estiagens na Região Noroeste
Publicado em 13/01/2026 às 17:00
Atualizado em 13/01/2026 às 09:56
Capa Família de Três de Maio é exemplo de sustentabilidade e conservação do solo

Foto de José Schaffer/Emater/RS-Ascar

Em um cenário de desafios climáticos crescentes, a trajetória da família Sartor, em Três de Maio, destaca-se como um modelo de agricultura responsável e eficiente. Com uma história que atravessa gerações, a propriedade tornou-se referência ao provar que a conservação dos recursos naturais é o caminho para garantir renda estável e viabilizar a sucessão familiar no campo.

A jornada de inovação começou com o patriarca Félix Sartor, hoje com quase 90 anos, que desde a década de 1960 buscou o apoio da Emater/RS-Ascar para introduzir tecnologia na produção. Ao longo dos anos, o que era uma pequena atividade diversificada expandiu-se, sempre pautada pela qualificação técnica. Seu filho, Darci Sartor, técnico em agropecuária, consolidou essa visão ao implementar, há mais de três décadas, práticas rigorosas de conservação do solo.

O solo como "caixa d’água"

O grande diferencial da propriedade foi a adoção de curvas de nível e terraços tecnicamente dimensionados. Ao contrário do sistema antigo, onde a água da chuva era drenada para fora das lavouras — causando erosão e perda de nutrientes —, o sistema atual força a infiltração da água no solo.

De acordo com o extensionista rural da Emater, Leonardo Rustick, essa técnica transforma o solo em uma "caixa d’água". Enquanto propriedades vizinhas registram perdas severas durante períodos de seca, a lavoura dos Sartor mantém-se verde e produtiva, utilizando a umidade armazenada naturalmente no subsolo. Além disso, a prática fortaleceu as vertentes locais e beneficiou a piscicultura da família.

Resultados em números

A eficiência ambiental reflete-se diretamente na rentabilidade e na segurança alimentar da família. Em uma área de aproximadamente 140 hectares, a produção é organizada de forma estratégica:

  • 100 hectares destinados a lavouras de grãos com plantio direto.

  • 15 hectares voltados para a piscicultura.

  • Áreas remanescentes ocupadas por preservação ambiental, potreiros, pomares e produção de hortifrutigranjeiros e leite.

Essa diversificação garante que a propriedade apresente índices de produtividade superiores à média regional, com menor impacto ambiental sobre rios e sangas e uma redução significativa nas perdas econômicas.

Para a família Sartor, o segredo do sucesso reside na parceria constante com a assistência técnica e na consciência de que o cuidado com o solo é a única garantia de futuro para as próximas gerações de agricultores.

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Almir Felin