Estiagem provoca maiores perdas agrícolas da história no Rio Grande do Sul
Farsul estima prejuízo de R$ 319 bilhões com o impacto da seca e prevê mais dificuldades com safra em desenvolvimento
Publicado em 14/02/2025 às 17:01
Atualizado em 14/02/2025 às 13:30
Capa Estiagem provoca maiores perdas agrícolas da história no Rio Grande do Sul

Foto de Prefeitura de Manoel Viana

O Rio Grande do Sul enfrenta o maior ciclo de perdas agrícolas de sua história devido à estiagem prolongada, que afeta diretamente a produção de arroz, soja, milho e trigo. Segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), de 2020 a 2024, o estado acumulou perdas de R$ 106,5 bilhões, com a correção pela inflação elevando esse número para R$ 117,8 bilhões. Quando incluídos os impactos na agropecuária, agroindústrias, serviços e impostos indiretos, o valor total atinge impressionantes R$ 319,1 bilhões, representando quase metade do PIB do estado em 2023 (R$ 645,3 bilhões).

De acordo com o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, o atual ciclo de perdas é inédito. "Não há registro na história de um ciclo tão longo e devastador como este. A seca de 1942 foi a maior já registrada, mas não enfrentamos tantos anos consecutivos de perdas como agora", afirmou.

Novas perdas com safras em desenvolvimento
A estiagem de 2025 já está causando mais danos. Em Coxilha, na região norte do estado, as chuvas irregulares resultaram em prejuízos agrícolas de R$ 82 milhões. O município já trabalha para decretar situação de emergência, garantindo assim medidas de apoio aos agricultores. A Defesa Civil gaúcha registrou que 115 municípios enfrentam impactos da estiagem, com 87 decretando situação de emergência.

Produção de leite afetada
Além das lavouras, a estiagem prejudica a pecuária leiteira, com a escassez de milho e soja afetando a alimentação do gado. O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês (Gadolando), Marcos Tang, alerta que o estresse térmico causado pelo calor excessivo também reduz a produção de leite.

– A previsão é que a produção diária de leite caia em até 10%, o que equivale a uma redução de 600 mil a 1 milhão de litros de leite a menos –, explicou Tang.

Mobilização por medidas urgentes
Diante da crise, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) e sindicatos de trabalhadores rurais convocam uma manifestação para a próxima segunda-feira, dia 17, exigindo socorro imediato do governo e soluções estruturais para os produtores. Até o momento, mobilizações já foram confirmadas em ao menos 11 cidades do estado, com o objetivo de chamar atenção para as necessidades urgentes do setor.

Frederico Westphalen será um dos municípios que receberá a mobilização dos agricultores, que farão protestos, com tratoraço, em frente a agentes financeiros, como uma forma de cobrar soluções por parte do governo, com relação às dificuldades enfrentadas pelos produtores.

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Almir Felin