Desafios climáticos persistem e preocupam agricultores gaúchos em 2025
Presidente da Fetag-RS alerta para impactos da estiagem e reforça necessidade de medidas governamentais urgentes
Publicado em 17/01/2025 às 17:01
Atualizado em 17/01/2025 às 15:05
Capa Desafios climáticos persistem e preocupam agricultores gaúchos em 2025

Foto de LA+

Após um 2024 marcado por enchentes devastadoras, os agricultores do Rio Grande do Sul iniciam 2025 sob a ameaça de mais um ano de estiagem. Nos últimos cinco anos, quatro foram caracterizados por períodos prolongados de seca, agravando a situação de milhares de produtores rurais que ainda tentam se recuperar das perdas causadas por eventos climáticos extremos. De acordo com a Fetag-RS, o cenário é preocupante.

– A estiagem tem se intensificado e é uma ameaça constante. Precisamos de um olhar atento do governo para mitigar os efeitos dessa realidade que se repete com frequência preocupante –, afirmou o vice-presidente da federação, Eugênio Zanetti.

As enchentes de 2024 não apenas destruíram propriedades e culturas, mas também comprometeram a fertilidade dos solos, deixando um rastro de vulnerabilidade. Enquanto isso, a possibilidade de uma nova seca coloca em risco a produção agrícola e a recuperação das famílias do campo.

– Foi um ano extremamente dificultoso para muitos produtores. Alguns perderam tudo, outros enfrentaram danos parciais em suas produções. Além disso, problemas de transporte, devido à falta de estradas, agravaram a situação. Infelizmente, os auxílios, embora importantes, muitas vezes não chegaram na ponta onde são mais necessários devido à burocracia,” afirmou o presidente da Fetar-RS, Carlos Joel da Silva.

Para enfrentar esses desafios, a Fetag-RS articula ações junto aos governos estadual e federal, priorizando:

  • Programas de recuperação de solos atingidos pelas enchentes;
  • Linhas de crédito emergencial e anistia de dívidas;
  • Ampliação de subsídios para pequenos produtores;
  • Fortalecimento do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), essencial para proteger agricultores familiares dos riscos climáticos.

Outro ponto de atenção destacado pelo líder da Fetag-RS é a possível redução orçamentária para o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária), prevista no novo projeto de lei de contenção de gastos.

– Trabalhar com um orçamento fixo para o Proagro é o início do fim do programa. Não podemos concordar com isso, pois ele é essencial para proteger os agricultores em situações adversas –, declarou o presidente.

Mobilização e acompanhamento da estiagem

Na última semana, a Fetag-RS realizou uma videoconferência com sua diretoria e as 23 regionais sindicais para avaliar os impactos climáticos em diversas regiões do estado. Relatos de perdas em lavouras e dificuldade de manejo em função da falta de chuvas ampliaram as preocupações.

Uma nova reunião está prevista para o final de janeiro, com o objetivo de cobrar respostas concretas dos governos. “Nosso diálogo com o ministro Paulo Teixeira reforçou a urgência de ações imediatas. Se a agricultura familiar sofrer novas perdas, enfrentaremos um cenário gravíssimo. O Proagro precisa ser fortalecido para proteger os produtores e evitar o endividamento em massa”, concluiu Zanetti.

Apesar do cenário desafiador, a Fetag-RS mantém a expectativa de uma safra melhor em 2025, especialmente em setores como a produção de leite, que pode apresentar resultados superiores ao ano anterior.

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Almir Felin