Foto de MPSC/Divulgação
Um advogado de Chapecó é apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) como um dos principais líderes de um esquema criminoso que lesou pelo menos 215 idosos em todo o Brasil.
A Justiça determinou 13 mandados de prisão e 35 de busca e apreensão, além do bloqueio bancário de R$ 32 milhões, contra uma sofisticada organização criminosa. O esquema de estelionato lesou e se apropriou de pelo menos R$ 5 milhões de ao menos 215 idosos em vários estados, com o número de vítimas podendo chegar a mil.
A operação, batizada de "Entre Lobos", foi deflagrada na manhã desta terça-feira, 22 de julho, em cinco estados brasileiros. Ao todo, 13 pessoas foram presas, entre elas seis advogados e um presidente de sindicato.
Em Salvador (BA), um casal também natural de Chapecó, incluindo uma mulher que atua como advogada, foi detido. Ambos já estavam sob monitoramento do Gaeco. Em Fortaleza (CE), outras três pessoas foram presas, incluindo duas advogadas e o suspeito de ser o mentor intelectual do esquema, responsável por coordenar toda a estratégia, a gestão e as ações digitais da organização.
A investigação aponta que o grupo agia com falsos contratos, promessas enganosas e abusos contra pessoas idosas para obter vantagens financeiras ilícitas. Os idosos, com média de idade de 69 anos, eram captados por meio de empresas de fachada para cederem créditos judiciais de processos envolvendo revisões de contratos bancários.
Após o ganho da causa, as vítimas recebiam apenas uma pequena parte do valor, às vezes irrisória, entre 1% e 3% do total da causa, sendo o restante dividido entre os membros da organização criminosa.
.jpg)
Também foi constatado que o ajuizamento das ações de ressarcimento acontecia sem o devido discernimento das vítimas, que sequer tinham detalhes do andamento do processo e eram enganadas a assinar documentos cedendo os direitos aos criminosos.
Entre os presos estão seis advogados e um presidente de sindicato. As detenções ocorreram em Salvador (BA), Fortaleza (CE) e nas cidades de Xanxerê, Xaxim, Pinhalzinho, Itapiranga e Irineópolis (em Santa Catarina) e Planalto (RS).
Os crimes investigados são: estelionato, organização criminosa, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro. A operação é considerada uma das maiores já realizadas pelo Gaeco envolvendo profissionais do Direito no país.
Publicado por
