Pesquisa aponta aumento da mortalidade por dengue entre idosos no Rio Grande do Sul
Estudo da Fiocruz, UFSM e UFCSPA destaca que estado registra alta letalidade em casos graves da doença
Publicado em 12/02/2025 às 13:59
Atualizado em 12/02/2025 às 14:01
Capa Pesquisa aponta aumento da mortalidade por dengue entre idosos no Rio Grande do Sul

Foto de Reprodução

Uma pesquisa realizada pela Fiocruz, em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), revelou que o Rio Grande do Sul apresenta um aumento preocupante na mortalidade por dengue entre idosos. O estudo foi publicado na revista científica IJID Regions, da International Society for Infectious Diseases (ISID).

O levantamento analisou os anos de 2021 a 2024 e comparou a letalidade da dengue no estado com outros locais historicamente mais afetados pela doença, como Pernambuco e Rio de Janeiro. De acordo com os pesquisadores, apesar de o Rio Grande do Sul ter historicamente menos casos de dengue, a taxa de letalidade vem crescendo de forma significativa, especialmente entre a população idosa.

Fatores que explicam o aumento da letalidade

Os pesquisadores identificaram alguns fatores que podem estar contribuindo para a alta mortalidade da dengue entre os gaúchos:

  • Envelhecimento da população – O Rio Grande do Sul tem a maior proporção de idosos do Brasil, faixa etária mais vulnerável às complicações da doença;
  • Baixa conscientização – A dificuldade em detectar os primeiros sintomas e buscar atendimento médico pode resultar no agravamento da dengue;
  • Desafios no tratamento – O manejo de pacientes idosos com dengue grave exige protocolos específicos, o que pode impactar a recuperação.

Outro ponto levantado pelo estudo foi a ausência de variações significativas nos sorotipos e genótipos do vírus no Rio Grande do Sul em comparação com outros estados. Isso sugere que a genética do vírus não é a causa do aumento da mortalidade, mas sim fatores relacionados ao perfil da população e ao atendimento médico.

– O mais importante é aumentar as campanhas de conscientização. O diagnóstico precoce, principalmente entre os idosos – que não podem tomar a vacina da dengue disponível –, pode fazer uma grande diferença, reduzindo as chances de evolução para casos graves –, destacou o pesquisador Gabriel Wallau, da Fiocruz Pernambuco.

Situação da dengue no RS

O levantamento apontou que 2024 foi o ano mais crítico para a dengue no estado, com mais de 208 mil casos confirmados e 281 mortes. O crescimento da doença também foi sentido em todo o país, com o Brasil registrando mais de 6,6 milhões de casos e 5,9 mil mortes.

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), 217 dos 281 óbitos no RS foram de idosos, representando mais de 70% das mortes no estado.

Casos de dengue nos últimos quatro anos no Rio Grande do Sul:

 2024 

  • Casos confirmados: 208.217
  • Óbitos: 281
  • Óbitos de idosos: 217

 2023 

  • Casos confirmados: 38.737
  • Óbitos: 54
  • Óbitos de idosos: 38

 2022 

  • Casos confirmados: 67.346
  • Óbitos: 66
  • Óbitos de idosos: 52

 2021 

  • Casos confirmados: 10.625
  • Óbitos: 11
  • Óbitos de idosos: 8

Medidas de prevenção

Diante do avanço da doença, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) reforçou as campanhas de prevenção e combate ao Aedes aegypti, transmissor da dengue. Entre as principais recomendações, estão:

  • Eliminar recipientes com água parada em quintais e áreas externas das residências;
  • Manter caixas d’água e tonéis bem fechados para evitar a proliferação do mosquito;
  • Utilizar repelentes e telas em portas e janelas como forma de proteção;
  • Buscar atendimento médico rapidamente ao apresentar sintomas, evitando o agravamento da doença.

Além das campanhas de conscientização, o Governo do Estado está promovendo capacitações para profissionais da saúde, com foco no manejo clínico da doença, priorizando o atendimento de pacientes mais vulneráveis.

Sintomas da dengue

A dengue pode se manifestar com sintomas leves a graves. Os sinais mais comuns incluem:

  • Febre alta (39°C a 40°C), por dois a sete dias
  • Dor de cabeça e dor atrás dos olhos
  • Dores no corpo e articulações
  • Náusea, vômito e diarreia
  • Mal-estar geral
  • Manchas vermelhas na pele, com ou sem coceira

O diagnóstico rápido e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações, principalmente entre idosos e pessoas com comorbidades.

A prevenção continua sendo a melhor estratégia para reduzir os impactos da dengue no Rio Grande do Sul.

Fonte: G1-RS

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Almir Felin