O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, denunciou 15 pessoas por envolvimento em uma rede criminosa que fraudava leite com produtos químicos, como soda cáustica e água oxigenada, em uma indústria de Taquara. A denúncia foi oferecida à 2ª Vara Estadual de Processos e Julgamentos dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, no dia 18 de dezembro, após a deflagração da "Operação Leite Compen$ado 13", que ocorreu em 11 de dezembro.
A operação, que investigou a adulteração de produtos lácteos destinados ao consumo humano, foi realizada no Vale do Paranhana (incluindo Taquara, Parobé, Três Coroas e Imbé) e também em São José do Rio Preto, em São Paulo. Entre os denunciados, destaca-se um químico industrial conhecido como o "alquimista" ou "mago do leite", que, de forma clandestina, desenvolvia fórmulas para a adulteração de leite deteriorado com adição de substâncias nocivas. Esse mesmo químico já havia sido alvo de uma investigação similar na "Operação Leite Compen$ado 5", em 2014, no município de Imigrante.
De acordo com o promotor Mauro Rockenbach, responsável pela denúncia, os fraudadores corromperam, adulteraram e falsificaram leite, utilizando produtos químicos impróprios para consumo humano. Além disso, foram realizadas diversas ações para fabricar, manter em depósito e revender o leite adulterado, que apresentava níveis de toxicidade comprovados por exames laboratoriais. Em alguns casos, ração animal foi detectada na diluição do leite. As substâncias incluíam água oxigenada, soda cáustica e leite em pó integral, utilizados para alterar a composição do produto.
A operação contou com a colaboração de diversas instituições, incluindo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Receita Estadual, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Delegacia do Consumidor da Polícia Civil (DECON). Durante a ação, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, incluindo a prisão do químico responsável, além de 16 mandados de busca e apreensão em várias cidades. Uma funcionária do laticínio investigado foi presa em flagrante.
Os produtos adulterados eram distribuídos para todo o Brasil e até para a Venezuela, embora o MPRS tenha sido impedido pela Justiça de divulgar os nomes das marcas envolvidas. Em paralelo à ação criminal, o promotor Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, utilizará as evidências obtidas para tomar providências na esfera cível.
A fraude causou sérios riscos à saúde pública, e o MPRS segue trabalhando para identificar todos os responsáveis por essa rede criminosa de adulteração alimentar.
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