Foto de Polícia Civil
A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp/Dercc), deflagrou na manhã desta quarta-feira, 1º, a Operação Modo Selva. A ação visa combater uma sofisticada organização criminosa responsável por lavagem de dinheiro e estelionatos virtuais praticados em escala nacional, que induzia vítimas a adquirir produtos pagando apenas o frete.
As investigações levaram ao cumprimento simultâneo de nove mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Pernambuco. Quatro pessoas foram presas em Canoas (RS) e nas cidades paulistas de Piracicaba e Hortolândia.
Além disso, foram sequestrados dez veículos de luxo – incluindo um Porsche Cayenne S, uma Range Rover Velar e uma BMW 430i –, e houve o bloqueio de 21 ativos, como contas bancárias e carteiras de criptoativos, em valores que podem chegar a R$ 210 milhões.
O esquema do “frete grátis” e a ostentação
O golpe consistia em fraudes eletrônicas que utilizavam a tecnologia de "deepfake" (síntese de imagens e sons baseados em inteligência artificial) de pessoas famosas para anunciar falsamente produtos cosméticos de marcas conhecidas. As vítimas eram direcionadas a sites fraudulentos, onde forneciam dados pessoais e realizavam pagamentos via Pix por valores baixos, geralmente entre R$ 20 e R$ 100, para cobrir o suposto frete.
A organização criminosa atuava com uma estrutura hierárquica definida, contando com um líder intelectual, um operador financeiro, um facilitador de pagamentos e uma influenciadora do crime. O dinheiro era escoado e lavado através de empresas fantasmas e contas de "laranjas", sendo constatado o uso indevido de identidades de idosas de 80 e 84 anos sem que estas tivessem conhecimento.
O grupo movimentou mais de R$ 20 milhões e fazia questão de ostentar a vida de luxo nas redes sociais, com viagens de helicóptero e aviões particulares, utilizando o dinheiro das vítimas como “vitrine”. Os criminosos chegaram, inclusive, a criar um perfil de mentoria para ensinar técnicas de golpes digitais a centenas de seguidores, criando uma verdadeira rede de multiplicação do crime.
A Delegada Isadora Galian, titular da Dicesp/Dercc, explicou que a maioria das vítimas não denunciava os golpes. “Isso criava uma situação perversa onde os criminosos tinham uma espécie de ‘imunidade estatística’. Eles sabiam que a maioria das pessoas não denunciaria, e então operavam em massa sem medo”, detalhou a delegada, referindo-se ao baixo valor cobrado dos consumidores.
O Diretor da Divisão de Combate aos Crimes Cibernéticos (DRCC/Dercc), Delegado Filipe Borges Bringhenti, concluiu que a investigação demonstra a necessidade de a polícia estar sempre um passo à frente. “Precisamos estar sempre um passo à frente dos criminosos, desenvolvendo técnicas de investigação tão sofisticadas quanto os crimes que combatemos", afirmou.
A operação contou com a colaboração das Polícias Civis de Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Pernambuco.
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