A seca que atinge o município de Tenente Portela, no Noroeste do Rio Grande do Sul, tem causado grandes prejuízos aos setores agrícola e urbano, obrigando a Administração local a tomar medidas emergenciais. O prefeito Rosemar Sala destacou a gravidade da situação, que já persiste desde o final de 2021, com a repetição de eventos climáticos severos, como secas prolongadas e uma inundação que também afetou a cidade.
– Estamos enfrentando novamente a seca, que tem trazido prejuízos de toda ordem. Em 17 de março, decretamos situação de emergência para que possamos minimizar os efeitos tanto para os nossos agricultores quanto para a área urbana, que também está sofrendo com o racionamento de água –, afirmou o prefeito.
O impacto da estiagem não tem sido sentido apenas na zona rural, mas também na cidade. Sala explicou que, nos últimos anos, a população tem enfrentado problemas sérios relacionados ao abastecimento de água, principalmente devido à diminuição dos níveis dos lençóis freáticos. "Mesmo com a Corsan e outros recursos como os poços artesianos, a situação continua crítica, e a produção de água tem diminuído consideravelmente", comentou o prefeito.
A economia de Tenente Portela, que depende em grande parte do agronegócio, tem sido severamente afetada. Sala revelou que as perdas na produção agrícola já são expressivas, com destaque para a soja, que registrou 30% de perdas. A pecuária leiteira também sofreu com uma diminuição de 20% na produção. “Hoje, temos um prejuízo estimado de 32 a 33 milhões de reais. E, sem chuva, esses números podem aumentar”, detalhou.

Além das perdas financeiras, a estiagem também tem gerado dificuldades para os produtores no acesso ao seguro agrícola. O prefeito destacou que muitos agricultores não conseguiram acessar o Proagro devido às restrições nas linhas de crédito, o que aumenta a preocupação com o endividamento das famílias rurais. Ele ainda ressaltou a importância da securitização das dívidas, uma medida proposta por parlamentares como o senador Heinz e o deputado Pedro Westphalen, que visa aliviar a situação dos produtores afetados.
A prefeitura tem trabalhado para amenizar os efeitos da seca, especialmente nas áreas mais atingidas. Com a ajuda de empresas como a Cotriguaçu, estão sendo distribuídas águas para mais de 125 famílias, atendendo comunidades rurais e até áreas indígenas. A água está sendo levada tanto para bebedouros quanto para caixas comunitárias, garantindo o abastecimento para cerca de 500 pessoas.
– Estamos fazendo o possível para garantir que as famílias da nossa região recebam água, e nossa principal prioridade neste momento é cuidar da saúde e bem-estar da população –, disse Sala.
Em relação ao futuro, o prefeito mostrou-se otimista quanto ao apoio do governo estadual e federal. Com a homologação dos decretos de emergência, ele espera que os agricultores recebam o suporte necessário para enfrentar a crise. A expectativa é de que, além do socorro imediato, os produtores possam renegociar suas dívidas com condições mais favoráveis. “Precisamos que o governo e os bancos estatais olhem com atenção para essa situação e deem condições para que nossos produtores possam continuar trabalhando”, enfatizou.
Sobre o andamento das obras no município, o prefeito explicou que as licitações programadas para este início de ano não devem ser afetadas diretamente pela crise hídrica, embora a prioridade agora seja a distribuição de água. “Temos um recurso reservado, mas é claro que a arrecadação do município deve ser impactada pela redução da produção no campo”, concluiu Rosemar Sala.
Além das questões relacionadas à seca, o prefeito aproveitou a oportunidade para falar sobre outro projeto importante para a cidade: a implementação do curso de Medicina. Ele explicou que o município está aguardando a aprovação final de um projeto que trará o curso para Tenente Portela, uma conquista que, segundo ele, representa um avanço significativo para a educação e para a saúde da população local.
“Estamos confiantes de que, em breve, teremos a confirmação do curso de Medicina, e isso abrirá portas para novos investimentos e melhorias na nossa cidade”, finalizou.
A situação de Tenente Portela é um reflexo da realidade enfrentada por diversas regiões do Estado, que, diante de secas prolongadas e fenômenos climáticos extremos, lutam para garantir a sobrevivência do agronegócio e o bem-estar da população. A Administração municipal, junto a outras instâncias de governo, continua buscando soluções para mitigar os danos e promover a recuperação da economia local.
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