Oscilação dos ventos deve aumentar as chuvas e agravar o risco de formação de ciclones no Sul do Brasil
Queda na Oscilação Antártica foi responsável pelo ciclone que atingiu o Rio Grande do Sul e Santa Catarina no mês de junho
Publicado em 04/07/2023 às 08:07
Capa Oscilação dos ventos deve aumentar as chuvas e agravar o risco de formação de ciclones no Sul do Brasil

A MetSul Meteorologia adverte que o comportamento do regime de vento ao redor da Antártida nesta primeira metade de julho tem potencial para aumentar a chuva no Sul do Brasil assim como agravar o risco de formação de ciclones extratropicais nas latitudes médias da América do Sul, por efeito impactando a parte meridional do território brasileiro.

O ciclone que atingiu o Rio Grande do Sul e Santa Catarina entre os dias 15 e 16 de junho, com enormes impactos humanos e econômicos no estado gaúcho, coincidiu justamente com uma queda no que se chama de Oscilação Antártica, que adentrou em território negativo ao redor da metade do mês passado. Isso não significa que sempre que a oscilação da Antártida adentrar em valores negativos vai se dar um ciclone tão intenso como o verificado no mês passado.

O que a fase negativa gera é um maior risco de formação de ciclones nas latitudes médias perto do Sul do Brasil, e estes sistemas podem ser fracos, moderados e em alguns casos intensos. A Meteorologia presta muita atenção nesta oscilação porque ela não apenas impacta o processo ciclogenético (de formação de ciclones no Atlântico Sul), mas também tem repercussão na chuva que se precipita sobre o Sul e o Sudeste do Brasil.

A chamada Oscilação Antártica (AAO) ou Modelo Anular Sul ou Meridional é uma das mais importantes variáveis que impacta as condições no Brasil e no Hemisfério Sul, tanto na chuva como na temperatura. Do que se trata? Trata-se de um índice de variabilidade relacionado ao cinturão de vento e de baixas pressões ao redor da Antártida.

A Oscilação Antártica tem duas fases. A positiva e a negativa. Na positiva, o cinturão de vento ao redor da Antártida se intensifica e se contrai em torno do Polo Sul. Já na fase negativa, o cinturão de vento enfraquece e se desloca para Norte, no sentido do Equador, obviamente sem atingir a faixa equatorial. Com a maior ondulação da corrente de jato na fase negativa, crescem as chances de episódios de chuva mais volumosa e ciclones.

Estudos mostram que na fase negativa há uma maior propensão para chuva no Sul e Sudeste do Brasil. Modelos de previsão do tempo indicam que a Oscilação Antártica nesta primeira metade do mês de julho vai estar em território negativo (AAO-), assim, pela climatologia histórica da AAO-, a tendência é de aumento da chuva e de um padrão mais favorável a formação de baixas pressões (ciclones).

Independente da condição do Pacífico (El Niño, neutralidade e La Niña), períodos de AAO- têm potencial de incrementar a precipitação no Sul do país. Com um El Niño atuando, como ocorre agora, a soma das duas variáveis (teleconexões) agravam ainda mais o risco de episódios de chuva volumosa ou excessiva.

Observando-se a climatologia histórica, muitos dos ciclones de alto impacto no Rio Grande do Sul se deram sob períodos em que a Oscilação Antártica estava negativa. Foi assim como o sistema de maio de 2008 – de altíssimo impacto em chuva e vento – como de outubro de 2016 – que trouxe uma enorme maré de tempestade e destruição na orla gaúcha.

Assim, nos próximos 15 dias, considerando a limitação temporal dos prognósticos de modelos para a oscilação, as condições de circulação da atmosfera no Hemisfério Sul serão mais propícias para que no Sul do Brasil chova mais, até com risco de excessos em algumas áreas, e uma maior propensão também para formação de ciclones no Atlântico Sul em latitudes mais perto do Brasil.

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