O mercado brasileiro de proteína animal registra, em abril de 2026, um cenário de forte valorização do boi gordo, alcançando os maiores níveis nominais desde o início da série histórica em 1997. Esse movimento reflete-se diretamente no custo da carne bovina ao consumidor final, ampliando significativamente a distância em relação às proteínas concorrentes.
Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a carne suína apresenta atualmente a maior vantagem competitiva frente à bovina nos últimos quatro anos.
O levantamento indica que o poder de compra do consumidor permite adquirir aproximadamente 2,46 quilos de proteína suína com o valor equivalente a apenas 1 quilo de carne bovina.
Ciclo pecuário e retenção de fêmeas pressionam oferta de animais para abate
A escalada nos preços é impulsionada por uma reestruturação na oferta de animais prontos para o abate, característica do ciclo pecuário. Diferente do ano anterior, o momento atual é de retenção de fêmeas; com a melhora nas cotações, os produtores optam por manter as vacas nas propriedades para a recomposição do rebanho e produção de bezerros, em vez de enviá-las ao frigorífico.
Essa redução estratégica na disponibilidade de animais, somada aos custos de produção e à demanda aquecida, gera uma pressão inflacionária no setor.
Em contrapartida, a cadeia suinícola segue uma trajetória distinta, o que tem favorecido a substituição da proteína bovina na mesa dos brasileiros diante do encarecimento relativo
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