Mais de 40 crianças e adolescentes venezuelanos frequentam escola da 20ª CRE
A escola tornou-se um lar quando muitos precisaram sair de suas casas
Publicado em 14/05/2025 às 12:54
Atualizado em 14/05/2025 às 12:59
Capa Mais de 40 crianças e adolescentes venezuelanos frequentam escola da 20ª CRE

Lugar de acolhimento, cuidado, carinho e empatia. Em meio a tantas dificuldades impostas pela vida em sociedade, mais de 40 crianças e adolescentes refugiados e migrantes da Venezuela frequentam a Escola Estadual de Ensino Fundamental Marcílio Dias, localizada no Distrito de Basílio da Gama, em Pinheirinho do Vale, próximo à divisa com Santa Catarina. A escola tornou-se um lar quando muitos precisaram sair de suas casas.

Diversas situações agravam as desigualdades na educação de crianças e adolescentes em todo o mundo, sobretudo dos mais vulneráveis. No entanto, diante da crise econômica e do fluxo migratório da Venezuela, a situação se torna ainda mais desafiadora pelas dificuldades enfrentadas, sendo uma delas a barreira do idioma.

– Enquanto instituição de ensino, queremos construir um projeto de educação que busca uma escola diferente, com autonomia, organização, onde o aluno seja o centro das decisões, com uma comunidade ativa e atuante, onde todos sejam sujeitos da escola que queremos, onde haja igualdade de oportunidades de aprendizagem, onde haja respeito às diferenças e às pluralidades culturais –, afirma a diretora da escola, Claudete Mosmann.

Com mais de 67 anos de história, a Escola Estadual Marcílio Dias oferece Ensino Fundamental completo para um total de 135 alunos, sendo 42 alunos venezuelanos. A Escola do Campo também conta com 14 professores, uma secretária e quatro servidores.

Há cinco anos no Brasil, Rosa Yudelis Aguiar Marcano conta que está contente que seu filho esteja frequentando a escola. Mais do que educação, ele está recebendo carinho, amor e acolhimento. A família saiu da Venezuela, deixando para trás o agravamento da crise econômica, social e a violação de direitos humanos.

Em Pinheirinho do Vale, assim como em outras cidades do país, receberam acolhimento e acesso à inclusão econômica e social, além de uma oportunidade de trabalho e a integração das crianças por meio da educação. A filha mais velha, Fraydelis, concluiu o Ensino Fundamental na escola em 2022.

– Foi um desafio muito interessante e puxado para eles, já que tinham outra cultura, estilo de vida e falavam outro idioma. Naquela época, eles chegaram à escola cheios de dúvidas e medos, mas hoje eles têm uma conquista. Eles falam português muito bem e entendem o que os professores falam. Chegam em casa e entendem todas as atividades –, relatou.

“Eu agradeço muito à escola, à direção e a todas as professoras por isso. Eu, como mãe, tenho certeza de que na Escola Marcílio Dias estão fazendo um papel muito importante na vida e na educação de nossos filhos”, completou.

O filho de Rosa, o estudante Franklin Isaac Ramirez Aguiar, de 11 anos, cursa o 5º ano do Ensino Fundamental. Ele comenta como foi o início e o que mais gosta na escola. “Como eu era venezuelano, as professoras não entendiam minha língua e eu também não entendia elas. Mas depois fui me adaptando com a escola, colegas e professores e agora eu gosto muito daqui. Dou graças a essa escola por ter me ensinado tanto. Acho que essa é a melhor escola do Rio Grande do Sul”, disse.

– O trabalho de todos na escola está trazendo resultados significativos para todas essas crianças e adolescentes. Só a educação transforma e nós estamos fortalecendo o nosso interesse em comum, que é a garantia do acesso à educação e a inclusão desses estudantes e suas famílias –, afirmou o coordenador da 20ª Coordenadoria Regional de Educação, João Souza.

Imigrantes em Pinheirinho do Vale

Em 2019, começaram a chegar no Distrito de Basílio da Gama as primeiras famílias venezuelanas. Inicialmente, se instalaram em Itapiranga, em Santa Catarina, em busca de melhores condições socioeconômicas.

Os migrantes vieram com o objetivo de trabalhar na JBS, uma vez que a empresa ofertou moradia gratuita para eles. As famílias participam do Projeto Acolhida, uma iniciativa do governo federal para apoiar imigrantes que chegam ao Brasil. Logo, quando precisaram pagar o aluguel, perceberam que em Pinheirinho do Vale o valor era mais baixo. E para chegar ao trabalho seria só atravessar o Rio Uruguai.

Atualmente, o distrito de Basílio da Gama, em Pinheirinho do Vale, conta com aproximadamente 300 venezuelanos cadastrados no Projeto Acolhida. No entanto, muitos deles já se deslocaram para outros municípios da região.

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Almir Felin