Foto de SILVIO ÁVILA/AFP/ METSUL METEOROLOGIA
A primavera meteorológica (trimestre setembro a novembro) registrou chuva recorde no Rio Grande do Sul neste ano. O trimestre, que chegou ao fim ontem, teve volumes de precipitação em algumas cidades gaúchas equivalentes a mais de dois terços da média de chuva que costuma cair um ano inteiro.
Os volumes de chuva entre setembro e novembro, o período mais chuvosos até agora neste ano no estado, registrou acumulados absurdamente altos principalmente sobre a Metade Norte gaúcha, embora em quase todo o estado as marcas tenham se situado muitíssimo acima da média.
A esmagadora maioria das estações meteorológicas da Metade Norte gaúcha anotou entre setembro e novembro volumes de 1.000 a 1.500 mm. Na Metade Sul, a maioria dos pontos de observação do Instituto Nacional de Meteorologia somou no período de 500 mm a 800 mm, mas algumas localidades chegaram a ter marcas de até 900 mm ou acima de 1.000 mm, caso de Caçapava do Sul com 1.025,4 mm.
Onde mais choveu no estado durante a primavera foi numa faixa que se estende da área de Palmeira das Missões, no Noroeste, até Cruz Alta (Alto Jacuí), Passo Fundo (Planalto Médio) e Serafina Corrêa (Norte da Serra). Nesta faixa do território gaúcho, a chuva no trimestre ficou perto ou acima de 1.500 mm.
Onde menos choveu na primavera meteorológica de 2023 foi no extremo Sul gaúcho, região que, pela climatologia histórica, costuma ser a menos chuvosa do estado. Mesmo assim, o acumulado de 404,8 mm em Santa Vitória do Palmar ficou acima da média histórica trimestral de 269,4 mm. Os números do Norte do estado são espantosos. Passo Fundo, por exemplo, teve ao longo do trimestre chuva de 1.548,2 mm.
A média histórica trimestral é de 565 mm, ou seja, choveu quase o triplo. O acumulado no trimestre na cidade do Planalto foi tão fora do normal que a melhor comparação é com a média anual. Para se ter ideia, a média de chuva em um ano inteiro em Passo Fundo é de 1.930,7 mm, ou seja, a cidade teve só na primavera meteorológica 80% do que costuma chover em um ano inteiro, o que do ponto climático pode, sem exagero, ser descrito como absurdo.
A primavera teve marcas espantosas de chuva também na Grande Porto Alegre. Durante o trimestre de setembro a novembro, a chuva acumulou 945,4 mm em Campo Bom. Em Porto Alegre, na estação de referência histórica do bairro do Jardim Botânico, o Instituto Nacional de Meteorologia mediu 894,1 mm. Foram 447,4 mm em setembro; 121,7 mm em outubro; e 325,1 mm.
CHUVA ACIMA DE 1000 MM NA PRIMAVERA DE 2023 NO RIO GRANDE DO SUL
- Passo Fundo: 1.548,2 mm
- Serafina Corrêa: 1.449,8 mm
- Palmeira das Missões: 1.417,0 mm
- Santo Augusto: 1.375,8 mm
- Cruz Alta: 1.374,5 mm
- Canela: 1.242,2 mm
- Cambará do Sul: 1.216,2 mm
- Santa Rosa: 1.185,8 mm
- Ibirubá: 1.184,4 mm
- São José dos Ausentes: 1114,2 mm
- Lagoa Vermelha: 1.107,2 mm
- São Luiz Gonzaga: 1.072,8 mm
- Santiago: 1.060,8 mm
- Teutônia: 1.043,8 mm
- Caçapava do Sul: 1.025,4 mm
- Tupanciretã: 1.003,6 mm
MAIORES VOLUMES DE CHUVA DA HISTÓRIA EM PORTO ALEGRE
Setembro de 2023: 413,8 mm Maio de 1941: 405,5 mm Junho de 1944: 403,6 mm Abril de 1941: 386,6 mm Junho de 1982: 365,6 mm
POR QUE CHOVEU TANTO
A razão primária para a primavera excessivamente chuvosa deste ano é o fenômeno El Niño, atualmente com intensidade muita forte, e cujos reflexos na chuva no Rio Grande do Sul costumam ser maiores durante os meses da primavera. Uma vez que os eventos extremos de chuva coincidiram com ondas de calor excepcionais no Centro do Brasil, as mudanças climáticas em escala global pelo aquecimento recorde do planeta podem ter potencializado o que já seria extremo pelo El Niño.
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