Chuva volta ao Rio Grande do Sul nesta sexta e setembro começa instável
Clima em setembro será influenciado pelo fenômeno El Niño com o maior aquecimento do Pacífico no mês desde 2015
Publicado em 01/09/2023 às 08:47
Capa Chuva volta ao Rio Grande do Sul nesta sexta e setembro começa instável

Setembro terá a influência de El Niño de maior intensidade no clima pela primeira vez desde 2015 e os reflexos serão sentidos. O inverno já foi de poucos episódios de frio mais intenso e os sinais da primavera já são visíveis na natureza com o canto cedo dos sábios e as árvores que se enchem de cores.

O inverno astronômico termina apenas no dia 23 de setembro às 3h50, mas o chamado período da primavera meteorológica tem início em 1º de setembro porque compreende o trimestre que vai de setembro a novembro. Setembro é, assim, um mês que marca a transição para a primavera e traz junto um aumento da temperatura. 

SETEMBRO SOB EL NIÑO

O mês de setembro em 2023 transcorrerá sob a influência do fenômeno El Niño, que teve início em junho. Será o primeiro setembro com o Pacífico Equatorial superaquecido desde 2015, ano do Super El Niño de 2015 e do começo de 2016. O mês vai marcar também o começo dos efeitos mais perceptíveis no clima do Sul do Brasil, em particular na chuva.

PREVISÃO DE CHUVA EM SETEMBRO

Será um mês de setembro diferente do que costuma ser no Centro do Brasil com mais chuva do que costuma cair nesta época do ano. As precipitações retornaram mais cedo que o habitual, em agosto, atingindo grande parte do Centro-Oeste e do Sudeste do país. Neste mês, de acordo com as projeções dos modelos, o padrão de chuva acima da média mensal persistiria em vários pontos do Centro do país.

A região do Brasil que mais terá chuva, entretanto, será o Sul do país. A tendência é que o mês registre precipitação acima a muito acima da média em diversas localidades da Região Sul. Alguns locais podem anotar acumulados tão altos quanto 300 mm a 500 mm apenas durante setembro, ou seja, metade ou mais da metade do que costuma chover em toda a primavera em apenas um mês.

Já no começo de setembro se espera um episódio de chuva significativa no Sul do Brasil que fará com que muitas cidades superem a média histórica de precipitação do mês ainda na primeira semana. A maior frequência de chuva esperada pode prejudicar o começo do plantio da safra de verão e episódios de precipitação excessiva podem resultar em cheias de rios e enchentes.

MAIOR OCORRÊNCIA DE TEMPESTADES 
Setembro, como mês da primavera climática, tende a ter um aumento dos episódios de tempo severo no Sul do Brasil. O risco é principalmente agravado com incursões tardias de ar frio à medida que a presença de ar quente se torna mais comum sobre o Sul do país com o fim do inverno.

O encontro de massas de ar frio e quente gera as tempestades severas, sobretudo na chegada de frentes frias. Em anos de El Niño, como é o caso de 2023, atmosfera mais quente, úmida e instável, com maior influência de ar tropical, favorece uma maior frequência de tempestades no Sul do Brasil. Os temporais não necessariamente são mais intensos, mas ocorrem em maior número.

Em 2023, já na primeira semana se espera um episódio de forte instabilidade no Centro-Sul do Brasil que deve trazer muitos temporais. O maior risco será nos estados da Região Sul e no Mato Grosso do Sul. Por fim, setembro é um mês com maior propensão para a formação de ciclones extratropicais no Atlântico Sul, nas latitudes médias do continente, especialmente nos litorais da Argentina e Uruguai, e às vezes na costa do Sul do Brasil, uma vez que se torna mais frequente o encontro de massas de ar quente e frio na região.

Episódios de frio mais intenso serão muito dependentes da formação de ciclones mais intensos em setembro no Atlântico Sul, mas a tendência é que neste ano os ciclones mais intensos se posicionem mais ao Sul do continente, perto da Antártida e da Patagônia.

Publicado por

Foto Almir Felin
Almir Felin
Fotos