Food Truck da Preta, uma história de amor à cozinha e sabores
Há quase 21 anos, Preta recebe os clientes no ponto localizado em frente à Catedral Santo Antônio, em Frederico Westphalen
Publicado em 21/04/2023 às 10:54
Atualizado em 21/04/2023 às 10:59
Capa Food Truck da Preta, uma história de amor à cozinha e sabores

‘’Você vai querer o cardápio?’’. ‘’Não precisa. Eu já sei o que vou pedir’’. Esse é o diálogo que se ouvia ao lado esquerdo da praça da Matriz, de quem observa de frente à Catedral Santo Antônio em Frederico Westphalen. Bem na esquina da Rua Monsenhor Vítor Batistella, há um food truck com adesivagem de cor mostarda, que estampa fotos de lanches, bebidas e um cardápio que despertam o apetite em quem passa por ali, telefone e redes para contato, e uma foto da Catedral Santo Antônio, reforçando sua conexão com o ponto em que instala-se. O food truck pertence à Marli de Almeida, a conhecida Dona Preta, e é ela quem prepara os lanches, por isso mesmo Food Truck da Preta.

De terça-feira a domingo, às 17h30min, a rotina de vendas começa com a limpeza da calçada que recebe as mesas e cadeiras onde sentam os clientes, feita por Ana Paula Pul, funcionária da Preta há quase cinco anos. Às 18h a proprietária  abre as janelas do food truck, inaugurando o balcão para pedidos daquela noite. Lá dentro, as prateleiras repletas de sacolas de pães de hambúrgueres e xis, nos compartimentos ingredientes, na bancada uma chapa que finaliza o preparo das carnes com temperos e a prensa que comprime e aquece os lanches antes de serem consumidos pelos clientes. Mas o Food Truck carrega principalmente muita história. 

Marli cozinha profissionalmente há mais de 30 anos. Apesar de não revelar a sua idade, sabe-se que dedicou a maior parte de sua vida à cozinha, do que a outros afazeres. Iniciou sua carreira como cozinheira de restaurante e, em dezembro de 2002, abriu o Food Truck da Preta, no mesmo lugar em que hoje continua instalado. Na época ampliou sua carga horária de trabalho para manter os dois empregos, porém com a desistência de outro carrinho de lanches que havia na praça, sua freguesia aumentou e não foi possível permanecer nas duas atividades, precisando deixar a cozinha do restaurante para focar em seu empreendimento.  Ao longo dos quase 21 anos trocaram de carro três vezes, os quais foram repassados para outros investidores do ramo, como o senhor Mauro que comprou o primeiro carro de Marli, e hoje vende cachorro quente em frente ao Banrisul. Ao todo, o mercado de food trucks em Frederico Westphalen contabiliza cinco carros. 

A rotina de produção tem início às 8h, quando Marli vai às compras, permanece o resto de todo o dia limpando e picando as carnes, em torno de 30 kg, que variam entre diferentes cortes de boi e de frango. Para essa tarefa, ela recebe ajuda de seu esposo, João Vaz Simi, que por muitos anos só conseguiu dar suporte à noite porque trabalhava como frentista em um posto de gasolina. Com a Pandemia do Coronavírus em 2020, João deixou de atuar no posto e passou a auxiliar Pretta, durante o dia, nessa tarefa de preparo dos insumos. Nesse mesmo período, também devido à restrição e circulação, surgiu a necessidade de contratação de um motoboy para a tele-entrega. Essa foi a maneira com que não fechassem o estabelecimento, como previa Marli naquele contexto, assim como aconteceu com outras 600 mil empresas brasileiras, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Hoje o delivery  é, para ela, um caminho de lucratividade, pois as formas de consumo mudaram, ainda que muita gente ainda prefira marcar presença. 

Mas o maior desafio percebido por Dona Preta nem foi o de manter o food truck aberto durante a crise pandêmica, e sim o de manter o sabor, que é notado pelos clientes a cada minuciosa alteração. Como é o caso de uma família do Mato Grosso, que todos os anos visita Frederico Westphalen, batem ponto no Food Truck da Preta. É uma espécie de tradição, que cumprem os nativos e visitantes, os filhos das mães que ali já frequentavam, os universitários e até mesmo os moradores de rua que passam à noite pelo local, pedindo algo para comer, e recebem um lanche de forma gratuita.

Em relação à continuidade do negócio, Preta revelou que os filhos optaram por atuar áreas diferentes da sua, apesar de serem bons cozinheiros, segundo ela mesma. Também por isso, a empresária afirma que pretende continuar no comando do negócio, produzindo os tradicionais lanches, com o mesmo sabor de sempre.
 

Fonte: Thalita Vizioli/ Estagiária de Jornalismo

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