Governo federal deve interromper calendário de implementação do novo ensino médio
Ministério da Educação elabora portaria para suspender mudanças no formato educacional das últimas séries da educação básica
Publicado em 04/04/2023 às 08:24
Atualizado em 04/04/2023 às 08:26
Capa Governo federal deve interromper calendário de implementação do novo ensino médio

Foto de Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve assinar uma portaria nas próximas semanas para interromper o cronograma de implementação do novo ensino médio. O ato do chefe do Executivo deve ter 90 dias de duração. Nesse prazo, o governo vai decidir como deve reestruturar o formato educacional das últimas séries da educação básica.

O novo ensino médio ampliou o tempo mínimo do estudante na escola, de 800 horas para 1.000 horas anuais, e definiu uma nova organização curricular, baseada na oferta de itinerários formativos organizados dentro das áreas de conhecimento (linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias e ciências humanas e sociais aplicadas) e de uma educação técnica e profissional.

O calendário de implementação desse modelo previa, até 2024, aplicar essas regras em todos os anos do ensino médio. Além disso, estabelecia, para o ano que vem, uma atualização da matriz de avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), visando alinhar as provas às novas diretrizes.

Nos últimos meses, o governo federal vinha sendo pressionado por movimentos estudantis a não dar continuidade às mudanças no ensino médio. A principal reclamação sobre o novo modelo é de que ele proporciona uma maior desigualdade entre os alunos e desfavorece quem estuda em escolas em situação precária.

O próprio presidente Lula já criticou o formato. No mês passado, ele prometeu buscar alternativas para suspender o novo ensino médio. “Conversei com o ministro da Educação, Camilo Santana, sobre o novo ensino médio. O Ministério da Educação vai fazer um debate com alunos e professores, para fazer uma nova proposta. Vamos fazer o que for melhor para os estudantes.”

Consulta pública
Em março, o Ministério da Educação abriu uma consulta pública para avaliação e reestruturação da política nacional de ensino médio, a ser implementada por meio de audiências públicas, oficinas de trabalho, seminários e pesquisas nacionais com estudantes, professores e gestores escolares sobre a experiência de implementação do novo ensino médio nos 26 estados e Distrito Federal.

A consulta vai receber manifestações até o início de junho, mas o governo pode prorrogar o prazo, caso seja necessário. Após as manifestações, a Secretaria de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino (Sase) vai ter 30 dias para elaborar o relatório final a ser encaminhado ao ministro Camilo Santana.

De acordo com o Ministério da Educação, o objetivo da consulta é “abrir o diálogo com a sociedade civil, a comunidade escolar, os profissionais do magistério, as equipes técnicas dos sistemas de ensino, os estudantes, os pesquisadores e os especialistas do campo da educação para a coleta de subsídios para a tomada de decisão do Ministério da Educação acerca dos atos normativos que regulamentam o novo ensino médio”.

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