Julgamento do Caso Rafael chega ao segundo dia
Novas testemunhas são ouvidas nesta terça-feira, 17
Publicado em 17/01/2023 às 16:25
Atualizado em 17/01/2023 às 16:37
Capa Julgamento do Caso Rafael chega ao segundo dia

Inicia nesta terça-feira, 17, o segundo dia do julgamento da ré Alexandra Dougokenski, acusada de matar Rafael Mateus Winques, de 11 anos, em 2020. O júri acontece no Fórum da Comarca de Planalto. 

O primeiro a depor foi Delair Pereira de Souza, ex-namorado de Alexandra Dougokenski. Ele mencionou sobre como estavam ela e Rafael antes da morte do menino. Ministério Público (MP) busca saber se ele percebeu Rafael sob efeito de remédios em meados de 2020.

MP realizou perguntas a Delair a respeito da relação dele com Alexandra. A contar da data da morte da Rafael, os dois se conheciam há quase dois anos e estavam se relacionando há cerca de seis meses.

Delair disse que via Rafael como um filho. Que a dinâmica do crime só poderia ser explicada por Alexandra, já que teria sido ela a responsável pelo assassinato. "Já está mais do que na hora dela falar a verdade. Olha o sofrimento que ela vem causando à família dela. Até para o Rafa poder descansar. Sofrimento à comunidade de Planalto", diz Delair. 

O ex-namorado da ré mencionou que foi enganado por Alexandra e que a acusada enganou a toda a sociedade. No caso na época em que ela havia procurado a polícia comunicando o desaparecimento do filho e depois ter confessado o assassinato. 

A sessão do julgamento esteve interrompida por cerca de 20 minutos após o início do júri nesta terça, por volta das 9h da manhã. A Juíza Marilene Parizotto Campagna interrompeu a fala do depoente e determinou a interrupção temporária do júri. Jurados começaram a chorar com o relato de Delair. 

Constatação do desaparecimento

Delair diz que, nesse dia, foi até a casa de Alexandra pela manhã e que Anderson estava no local (Anderson Dougokenski é outro filho de Alexandra), foi ele que disse que Rafael não estava mais na casa. Após todos conversarem, foram até o Conselho Tutelar e a polícia foi acionada. A cidade se mobilizou para procurar Rafael. Segundo Delair, ela (mãe) nunca saiu para procurar, com ele, o próprio filho.

Segunda testemunha

A segunda testemunha a dar depoimentos no júri em Planalto é do irmão da vítima e filho de Alexandra, que tinha o pai de Rafael como padrasto (Rodrigo Winques). Anderson Dougokenski é questionado pelo MP sobre a relação com a sua mãe e padrasto.

"Ela foi meu pai e minha mãe e sempre vai ser", diz Anderson Dougokenski ao ser questionado sobre a relação com Alexandra.

"Foi o cara que terminou com a minha vida. Eu fui abusado várias vezes por ele", disse Anderson Dougokenski sobre o padrasto Rodrigo Winques, pai de Rafael. O irmão da vítima relatou ser abusado sexualmente pelo padrasto, Anderson diz que Rodrigo mostrava-lhe vídeos pornográficos. Esses fatos, segundo Anderson, aconteceram antes e depois do nascimento de seu irmão Rafael. 

O depoente Anderson Dougokenski afirma que não foi trabalhar na semana do desaparecimento do irmão, embora o chefe insistisse para que retornasse. Ele trabalhava em uma lavagem de carros. Anderson Dougokenski diz que delegados Eibert Moreira e Ercilio Carletti o levaram da casa da avó, em Alpestre, até a delegacia. Lá, mostraram a foto de Rafael morto para ver se ele falava alguma coisa. "Aquele foi o pior dia para mim, eu já não havia sofrido que chega", relembra Anderson.

Na noite da morte do Rafael, Anderson disse que foi para a cama e que conseguia ouvir Rafael no quarto dele, jogando e falando com amigos no telefone. Por volta das 3h ou 4h da madrugada, escutou uma espécie de pancada. 

— Parecia uma porta de lata. Não imaginei que era na nossa casa. Disse: “Para, pai, para pai”. Disse umas duas ou três vezes e parou de novo. Então, eu não imaginei... Ninguém tinha pai lá em casa. O único que tinha era o do vizinho — relatou.  

-"O meu irmão não volta mais, mas com a mãe do lado não seria a mesma coisa, mas seria um pouco diferente", pondera Anderson Dougokenski sobre uma possível absolvição da mãe, Alexandra. O irmão da vítima declarou aos jurados sobre a possibilidade do júri puder absolver Alexandra. 

Terceira testemunha

O pai de Rafael Mateus Winques, Rodrigo Winques, optou por conceder depoimento sem a presença da ré Alexandra Dougokenski no salão do júri. A Justiça atendeu o pedido. Rodrigo é questionado inicialmente pelo MP. 

Primeiramente, o pai da vítima, Rodrigo Winques afirma que "sempre que podia" ajudava Rafael financeiramente. Na última vez que ele viu o filho, Winques diz que deu R$ 1500. Rodrigo Winques afirma que Alexandra dificultava o contato dele com o filho Rafael. Rodrigo Winques confrontou a versão de Anderson Dougokenski, afirmando que tinha boa relação com o enteado.

Depois de ser questionado inicialmente pelo MP, houve um intervalo definido pela juíza Marilene Parizotto Campagna. Na volta, o depoente Rodrigo Winques é questionado pela defesa da então ré Alexandra Dougokesnki. 

Quanto ao início do questionamento da defesa de Alexandra, houve a especulação sobre a impossibilidade de se realizar perguntas ao depoente, pois, quanto a transmissão do julgamento, advogado Jean Severo destacou que provas deveriam ser mostradas durante o júri e que teriam conteúdo pejorativo. 

Caso

Rafael desapareceu em 15 de maio de 2020, e teve o corpo encontrado 10 dias depois, após a mãe confessar o crime. O cadáver estava escondido numa caixa de papelão nas proximidades da casa onde ele morava. A perícia apontou que a criança foi morta por asfixia — a acusação sustenta que ela usou uma corda de varal.

Alexandra é acusada de homicídio qualificado (motivo torpe, motivo fútil, asfixia, dissimulação e recurso que dificultou a defesa), ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual. Presa pelo crime, atualmente ela nega ter cometido o assassinato, e sua defesa alega que a morte é responsabilidade do pai, Rodrigo Winques, que morava em Bento Gonçalves quando o crime aconteceu.

1º dia
Ontem, houveram os depoimentos de dois delegados e da ex-professora do menino Rafael. 

Transmissão

A transmissão do julgamento ocorre através do YouTube do Tribunal de Justiça RS e através das redes sociais do LA+. A oitiva de Rodrigo Winques foi encerrada, sob a alegação de "razão humanitária", a defesa de Winques encerrou o depoimento do pai de Rafael. Uma quarta testemunha concede depoimento no júri desta terça, Ladjane Ravagio, ex-professora de Rafael é a depoente.

A Juíza Marilene Parizotto Campagna prevê que mais uma testemunha seja ouvida antes do próximo intervalo. A avó materna de Rafael Winques depõe, Isailde Batista é mãe de Alexandra Dougokenski. 

FOTO: TJRS/Divulgação.
 

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