Um recomeço para mulheres dependentes de psicoativos
Comunidade Terapêutica Feminina Bárbara Maix promove campanha de doação para a continuidade dos trabalhos
Publicado em 23/11/2022 às 15:43
Capa Um recomeço para mulheres dependentes de psicoativos

Desde 2010, a Comunidade Terapêutica Feminina Bárbara Maix, de Frederico Westphalen, funciona como um centro de recuperação para mulheres vítimas da dependência de drogas, álcool e medicamentos. Com um modelo psicossocial, se mantém através de recursos do SUS, doações e realização de eventos beneficentes. A entidade foi criada no intuito de atender uma demanda da 2ª Coordenadoria Regional de Saúde, que não possuía, na região, uma comunidade que acolhesse mulheres adictas. Sob direção da advogada Ana Patrícia Ferreira, a comunidade se pauta na base do amor, disciplina, espiritualidade e trabalho, com o objetivo das mulheres retornarem recuperadas para suas famílias. Para tal, é desenvolvido ações de prevenção, recuperação, integração social e familiar.

A comunidade tem um programa de duração mínima de nove meses, onde as acolhidas passam por terapias individuais e em grupo, oficinas e reuniões que desenvolvem a espiritualidade. Para a realização de tais atividades, a instituição conta com duas monitoras, uma assistente social e uma psicóloga, além das profissionais voluntárias. Atuando com mulheres dependentes de psicoativos, a entidade também disponibiliza o espaço para o acolhimento de vítimas de violência doméstica em Frederico Westphalen.

Mulheres acolhidas

Atualmente, sete mulheres moram na comunidade e duas estão em processo de desintoxicação para iniciarem o tratamento dentro das dependências da instituição. Uma das mulheres em tratamento é a M. P., que tem 25 anos e é técnica em segurança do trabalho. Ela fazia o uso esporádico de substâncias químicas durante cinco anos, entretanto, com a separação e após sofrer um aborto, a jovem passou a recorrer à cocaína com muita frequência, na tentativa de um afastamento temporário da realidade. Ela relata que tentou parar sozinha, porém, só conseguiu durante uma semana, após isso, ela foi orientada pela família a buscar ajuda profissional.

A psicóloga Dhiéssica Moi, que faz o acompanhamento terapêutico das mulheres na comunidade, aponta que os atendimentos não se restringem às acolhidas, pois é importante restabelecer os vínculos familiares, apresentar a dependência como uma doença, de modo que a colaboração das famílias ao longo do processo é essencial para a recuperação das acolhidas.

M. P. está na reta final do tratamento e em processo de reinserção na sociedade, tendo feito três visitas à família. “Esse processo de reinserção foi bom porque nos testa, já que passamos por lugares e pessoas que faziam parte da nossa vida antiga e temos que evitar, dizer não. Mostra que tudo que a gente aprende na comunidade é verdade”, afirma a jovem. Em tratamento há oito meses, ela espera a conclusão para retornar à rotina normal, sendo indicada a um acompanhamento psicológico e participação em grupos de apoio.

Diferente da M. P., Vera Silva teve o primeiro contato com o crack aos 42 anos e se viciou desde o primeiro uso. A partir de então luta contra o vício há 17 anos. Segundo ela, “depois da droga, você não tem uma vida normal, porque ela não te pertence mais. O seu foco se torna só a droga, os seus amigos são só os usuários. Você se afasta de todos”. Entre idas e vindas, está na comunidade terapêutica há dois meses. Após a última recaída, que durou três meses, Vera percebeu a necessidade de retornar para o tratamento, ao notar que sozinha ela não conseguiria. “É ilusão acreditar que conseguiria sem ajuda, pois não tinha mais saída, senão eu ia morrer. Eu estava pesando 47 quilos”, afirma. Para ela, a comunidade significa um recomeço.

Como doar

Uma das fundadoras da Bárbara Maix, Neide Miôr, que atua no voluntariado como assistente social e técnica responsável, aponta a importância da comunidade frederiquense na continuidade dos trabalhos da instituição. “Graças à ajuda de todo o município, sejam pessoas físicas ou empresas, estamos conseguindo salvar muitas mulheres do mundo das drogas”, afirma.

Para fazer parte da história da comunidade, auxiliando no processo de recuperação dessas mulheres, é possível doar por meio do projeto Amigas e Amigos da Bárbara. Pessoas e empresas podem entrar em contato através do email barbaramaixcomunidade@gmail.com, a iniciativa possui um valor mínimo de doação, sendo R$ 20 para pessoa física e R$ 50 para pessoa jurídica.

Além disso, o pix da comunidade é o CNPJ 12.508.757.0001-70 e os dados bancários: Sicredi (748) - Agência: 0230 - Conta corrente: 47356-2 e Banrisul (041) - Agência: 0630 - Conta corrente: 06.081332.0-3. Para mais informações, o contato é (55) 99697-0415. 

O incentivo à doação se dá pela necessidade de cobrir alguns alimentos e recursos que não são cobertos pelo Sistema Único de Saúde.

Fonte: *Pamela Galdino, com supervisão de Lucas Faustino

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