Governo vai monitorar mercado de combustíveis em razão do conflito no Oriente Médio
Ministério de Minas e Energia intensifica fiscalização sobre mercado global e nacional em meio à instabilidade global
Publicado em 12/03/2026 às 10:15
Atualizado em 12/03/2026 às 10:18
Capa Governo vai monitorar mercado de combustíveis em razão do conflito no Oriente Médio

Foto de Petrobras | Divulgação

O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou a criação de uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para acompanhar diariamente as condições do mercado de combustíveis. A iniciativa visa integrar as ações de órgãos reguladores e agentes dos setores de fornecimento e distribuição, respondendo à crescente instabilidade gerada pelo conflito no Oriente Médio.

Como a região concentra cerca de 60% das reservas globais de petróleo, o governo brasileiro busca reforçar a vigilância sobre as cadeias de suprimento globais e a logística nacional para evitar desabastecimentos.

A pasta ampliou o diálogo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e com empresas que atuam na importação e produção. O objetivo estratégico é antecipar riscos e coordenar medidas que preservem a segurança energética do país.

Embora o cenário internacional apresente volatilidade, especialistas indicam que a exposição direta do Brasil é limitada, uma vez que o país é exportador de petróleo bruto e possui baixa dependência de derivados provenientes do Golfo Pérsico, apesar de ainda importar volumes significativos de diesel.

Fiscalização contra aumentos injustificados nas distribuidoras

Paralelamente às ações de monitoramento, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar reajustes de preços registrados em quatro estados e no Distrito Federal.

O pedido de análise ocorre após sindicatos de postos de combustíveis, incluindo o Sulpetro no Rio Grande do Sul e o Minaspetro em Minas Gerais, relatarem que as distribuidoras elevaram os valores de venda sob a justificativa da alta internacional do barril de petróleo.

A autoridade federal ressalta que, até o momento, a Petrobras não oficializou qualquer aumento em suas refinarias. Diante dessa discrepância, o Cade avaliará se há indícios de práticas prejudiciais à livre concorrência ou tentativas de influência para a adoção de condutas comerciais combinadas entre as distribuidoras.

A medida visa proteger o consumidor final de possíveis abusos econômicos motivados pela especulação geopolítica, garantindo a normalidade do mercado interno.

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Almir Felin