Ministério Público do RS denuncia sete pessoas homicídio e tortura em centro terapêutico
Investigação aponta prática de homicídio qualificado, tortura e fraude processual em clínica rural
Publicado em 03/03/2026 às 14:05
Atualizado em 03/03/2026 às 14:10
Capa Ministério Público do RS denuncia sete pessoas homicídio e tortura em centro terapêutico

Foto de Polícia Civil/Divulgação

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio da Promotoria de Justiça de Getúlio Vargas, formalizou uma denúncia contra sete indivíduos por crimes ocorridos em um centro terapêutico na zona rural de Estação, no Norte do Estado. O documento, assinado pelo promotor João Augusto Follador, detalha uma série de violações que vieram à tona após a morte de um interno em janeiro deste ano.

O óbito levantou suspeitas imediatas, motivando a abertura de um inquérito pela Delegacia de Polícia de Getúlio Vargas para apurar as circunstâncias do ocorrido na instituição.

Conforme a denúncia do MPRS, o episódio mais grave refere-se ao homicídio qualificado de um paciente, que teria sido levado a um dormitório e brutalmente espancado por diversos acusados. A vítima sofreu múltiplas lesões e foi deixada em estado de extrema debilidade, vindo a falecer pouco tempo depois devido à gravidade das agressões.

Além do assassinato, a investigação revelou que outros internos eram sistematicamente submetidos a sessões de tortura, que incluíam castigos físicos, ameaças, dopagem compulsória, uso de espingardas de pressão e privação de liberdade como método de punição.

Gestão e ocultação de provas motivam prisões

A estrutura do grupo denunciado contava com cinco homens e duas mulheres, sendo estas mãe e filha. De acordo com o Ministério Público, a filha exercia a administração central e a coordenação da rotina na unidade, enquanto a mãe atuava como associada na condução da clínica.

A denúncia aponta que a mãe teria incitado o ato que resultou na morte do interno, embora não existam provas de sua participação direta nas torturas ou na fraude processual identificada pela polícia.

O MPRS também descreve que os acusados tentaram apagar vestígios do homicídio limpando a cena do crime e destruindo pertences pessoais da vítima para obstruir a investigação.

Até o momento, quatro dos denunciados estão detidos: dois homens que já se encontravam no sistema prisional e as duas mulheres, presas no último final de semana.

O caso segue agora para a fase judicial, onde os réus responderão pelas práticas de violência física e psicológica e pela tentativa de enganar as autoridades policiais.

Fonte: MPRS

Publicado por

Foto Almir Felin
Almir Felin