Foto de Instituto Nacional de Câncer
O Brasil contabilizou 11.984 novos diagnósticos de câncer em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos durante o ano de 2025, segundo dados do Painel Oncologia Brasil do Ministério da Saúde. O índice representa uma queda na comparação com 2024, quando foram registrados 15.811 casos.
O levantamento, compilado pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP), revela que, no Rio Grande do Sul, 837 jovens residentes no estado receberam o diagnóstico no ano passado, contra 1.390 registros no período anterior. A doença nesta faixa etária corresponde a aproximadamente 3% do total de casos de câncer no país, afetando majoritariamente células do sangue e tecidos de sustentação.
Diferente dos tumores em adultos, o câncer infantojuvenil é formado em grande parte por células embrionárias, o que geralmente possibilita uma resposta mais eficaz aos protocolos terapêuticos. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) ressalta que as causas exatas ainda são desconhecidas na maioria das ocorrências, embora cerca de 10% estejam relacionadas a fatores genéticos ou hereditários.
Entre os tipos mais comuns estão as leucemias, que atingem a medula óssea e representam 30% dos casos, seguidas por tumores do sistema nervoso central e linfomas. O diagnóstico precoce é considerado fundamental, uma vez que a agilidade no início do tratamento aumenta significativamente as chances de cura.
Sinais de alerta
Especialistas reforçam a necessidade de atenção a sintomas que podem ser confundidos com doenças comuns da infância. O pediatra Tiago Dalcin, membro da SOBRASP, alerta para sinais persistentes como palidez injustificada, hematomas, dores ósseas, perda de peso sem causa aparente e inchaços abdominais ou nos olhos.
Outros indicadores importantes incluem dores de cabeça graves acompanhadas de vômitos matinais e sudorese noturna. A investigação clínica imediata de sintomas que não apresentam melhora é o caminho para identificar patologias como o neuroblastoma, sarcomas e o retinoblastoma, este último com maior incidência em crianças menores de cinco anos.
Além do desafio clínico, a doença impõe uma severa carga emocional e social. A rotina das famílias é drasticamente alterada, exigindo muitas vezes que pais abandonem o mercado de trabalho para acompanhar o tratamento especializado, que frequentemente ocorre em centros distantes das residências.
O suporte multidisciplinar é essencial para mitigar o impacto do afastamento social e das longas internações. O acompanhamento contínuo e a conscientização sobre os sinais de alerta permanecem como as principais ferramentas para garantir que crianças e adolescentes recebam o suporte necessário para enfrentar a enfermidade com dignidade e chances reais de recuperação.
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