Foto de Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados deu início ao ano legislativo com a aprovação de dois projetos de lei que alteram profundamente a estrutura de cargos e salários dos servidores da Câmara e do Senado. As propostas substituem o modelo antigo de gratificações fixas por um sistema atrelado ao desempenho e ao cumprimento de funções estratégicas.
Com a mudança, o peso das gratificações pode dobrar o salário-base de diversos servidores, gerando uma pressão fiscal estimada em R$ 1 bilhão nos cofres públicos.
A nova estrutura foi desenhada para vincular os ganhos financeiros a metas institucionais e avaliações funcionais periódicas. No entanto, o ponto que mais gerou debate foi o teto potencial de recebimentos.
Com a soma do vencimento básico, as novas gratificações por produtividade e os benefícios acessórios — frequentemente chamados de "penduricalhos" —, ocupantes de cargos no topo da carreira legislativa podem chegar a receber valores próximos de R$ 77 mil mensais.
Modernização versus impacto orçamentário
A defesa dos projetos sustenta que a reformulação é necessária para modernizar a gestão de pessoas no serviço público, premiando o mérito e a eficiência em vez da progressão automática por tempo de serviço.
Por outro lado, críticos da medida apontam para o momento do ajuste fiscal, questionando a criação de novas despesas bilionárias em um setor que já possui uma das médias salariais mais elevadas do país.
As gratificações por desempenho, segundo os textos aprovados, não são lineares e dependem de regulamentação interna de cada Casa para definir quais funções serão consideradas estratégicas.
A expectativa agora é que os projetos sigam para análise do Senado, onde devem enfrentar nova rodada de discussões sobre a viabilidade financeira e o teto constitucional, que teoricamente limita os ganhos no serviço público ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
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