Foto de Fernando Dias/ Ascom Seapi
O Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi) avançou em mais uma etapa do monitoramento de abelhas mamangavas nativas na região de fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. As ações ocorreram na última semana e integram o projeto “Status das espécies de mamangavas nativas (Bombus) em áreas suscetíveis à invasão de Bombus terrestris na fronteira Brasil–Uruguai”, iniciado em setembro de 2025.
A iniciativa surgiu diante da possibilidade de entrada no Brasil da mamangava europeia (Bombus terrestris), uma espécie invasora introduzida no Chile para polinização agrícola. Embora contribua para o aumento da produtividade de culturas como o tomate, essa espécie pode competir por recursos naturais com as mamangavas nativas e transmitir doenças, representando risco ambiental para as populações locais.
Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora do DDPA Sidia Witter, o objetivo principal é “avaliar a composição, a abundância e o uso de recursos florais por espécies de abelhas nativas de Bombus em áreas vulneráveis à invasão da espécie exótica B. terrestris, gerando subsídios para ações de conservação e políticas públicas”.
O monitoramento é realizado mensalmente e abrange nove municípios da fronteira: Arroio Grande, Pedro Osório, Herval, Pinheiro Machado, Pedras Altas, Candiota, Hulha Negra, Bagé e Aceguá, totalizando 320 quilômetros percorridos por mês ao longo das beiras de estrada. Até o momento, não há registros da espécie de mamangava invasora no Rio Grande do Sul.

Pesquisadores do DDPA/Seapi realizando pesquisa a campo do projeto mamangavas nativas - Foto: Fernando Dias/ Ascom Seapi
Centro de Pesquisa de Hulha Negra integra os estudos
Parte dos experimentos de campo são desenvolvidos no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Sistemas Integrados e Meteorologia Aplicada (Cesimet), ligado ao DDPA, em Hulha Negra, onde foram cultivadas áreas de trevo vermelho, ervilhaca e feijão, plantas reconhecidas pela elevada atratividade para mamangavas. O arranjo das áreas com diferentes espécies de leguminosas busca garantir oferta contínua de flores ao longo do ano, permitindo análises mensais das populações de mamangavas nativas.
O cultivo de leguminosas, além de alinhado com o manejo do campo nativo, é altamente atrativo para espécies nativas de Bombus e pode representar uma alternativa relevante de recursos alimentares para estas e outras abelhas nativas, além ser utilizada para a cobertura do solo e aporte de nitrogênio principalmente em áreas de pastagens tão importantes para região. Portanto, a conservação das abelhas nativas Bombus está alinhada ao manejo das pastagens nativas do Bioma Pampa.

Flora nativa do Bioma Pampa - Foto: Fernando Dias/ Ascom Seapi
O melhoramento das pastagens nativas integrada à pecuária tradicional reforça a resiliência dos sistemas produtivos e os serviços ecossistêmicos essenciais, como a polinização, demonstrando que a conservação da biodiversidade e a produção pecuária sustentável podem caminhar lado a lado.
A pesquisa é coordenada e conduzida por pesquisadores do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Agronômica (Ceagro), de Porto Alegre, e do Cesimet, com a colaboração de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Orientação à população
Caso uma mamangava europeia (veja diferenças entre a mamangava europeia e as nativas do Rio Grande do Sul na imagem abaixo) seja observada no Brasil, a orientação é não eliminar o inseto. A ocorrência deve ser comunicada ao DDPA pelo e-mail muse.ento.rgc@gmail.com, preferencialmente acompanhada de foto e localização geográfica.
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