Comitiva gaúcha realiza visita técnica a Santa Catarina para conhecer sistema antigranizo
Objetivo foi conhecer o sistema e experiência do Estado vizinho em sua utilização
Publicado em 23/01/2026 às 10:20
Atualizado em 23/01/2026 às 10:23
Capa Comitiva gaúcha realiza visita técnica a Santa Catarina para conhecer sistema antigranizo

Foto de Cassiane Osório/ Ascom Seapi

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) liderou uma missão técnica a Santa Catarina com o objetivo de conhecer o sistema antigranizo instalado no Estado, que tem o intuito de proteger a fruticultura catarinense dos efeitos do granizo. O Rio Grande do Sul estuda a possibilidade de implantar o sistema na Serra gaúcha, principalmente para proteção da vitivinicultura gaúcha.

O secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena, liderou a comitiva, junto com a equipe técnica da Secretaria, e contou com a representação de 22 municípios da Serra Gaúcha e do Vale do Caí, além de integrantes da Defesa Civil do Estado e de Sindicatos Rurais e de Seguradoras. As visitas aconteceram na quarta-feira (21/1) e quinta-feira (22/1) nos municípios catarinenses de Fraiburgo, Videira e Caçador.

Madalena destacou que a partir da demanda recebida do setor vitivinícola da Serra Gaúcha, no sentido de implementar um sistema antigranizo no estado do Rio Grande do Sul, a Secretaria da Agricultura decidiu aprofundar a discussão, tanto do ponto de vista técnico, quanto do ponto de vista de capacidade de implementação.

– O granizo é certamente um dos problemas que traz muito prejuízo ao setor produtivo e à sociedade como um todo. Aqui no Estado vizinho pudemos realizar uma imersão e conhecer com uma profundidade técnica, como funciona, e como Santa Catarina utiliza esse sistema com o intuito de combater e de mitigar os efeitos do granizo na fruticultura –, enfatizou.

O secretário ainda ressaltou que se pode avançar nas discussões de modelos de implementação do projeto, tanto com a realização de convênios quanto em parcerias com o setor privado. “Acreditamos que foi uma missão muito exitosa, nós observamos isso nas conversas com os integrantes da nossa comitiva que é composta por produtores, por gestores municipais, por entidades representativas de produtores e acreditamos que nós estamos voltando ao estado do Rio Grande do Sul com muita maturidade para discutir a implementação dessa tecnologia na nossa Serra Gaúcha”, afirmou Madalena.

Uma das alternativas em estudo é a implantação do sistema por meio de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura. Presente no encontro, o presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis), Luciano Rebellatto, - entidade que possui termo de colaboração para viabilizar ações de fomento por meio do fundo - ressaltou a relevância do projeto antigranizo para o setor.

– Trata-se de um investimento estratégico para a vitivinicultura, pois contribui diretamente para a segurança econômica dos produtores, reduz as perdas provocadas por eventos climáticos extremos e fortalece a permanência dos viticultores na atividade. Além disso, o projeto beneficia a indústria, ao proporcionar maior previsibilidade quanto ao volume de produção, favorecendo o planejamento, a competitividade e a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva –, garantiu.

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Experiência e tecnologia do sistema antigranizo catarinense e a possibilidade de ser implementado no RS - Foto: Cassiane Osório/ Ascom Seapi

Experiência catarinense

O assessor técnico do gabinete da Secretaria da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina, Paulo Arruda, acompanhou a comitiva nos dois dias de agenda e enfatizou a eficiência do projeto antigranizo, destacando que o sistema já está no Estado desde 1989 e que veio com as grandes empresas da fruticultura da maçã no meio Oeste catarinense.

– Para nós é importante mostrar para outros estados essa possibilidade e essa tecnologia que Santa Catarina escolheu. Hoje nós estamos fazendo um investimento de R$ 22 milhões, ajudando praticamente 18 municípios e pretendemos aumentar esta quantidade no Estado. É um sistema que tem a sua eficiência e é mais uma tecnologia que pode contribuir para diminuir os prejuízos de granizo que têm na agricultura e na agropecuária –, afirmou Arruda.

Visitas técnicas

No primeiro dia, a comitiva conheceu, em Fraiburgo, o funcionamento do gerador de solo com queima de iodeto de prata que diminui o tamanho das pedras de gelo, a partir da emissão do produto para a atmosfera. O grupo foi recebido pelo meteorologista da empresa AGF, João Rolim, que opera os geradores e o monitoramento climático em Santa Catarina. Atualmente são 170 geradores de iodeto espalhados no Estado. Também conheceram o trabalho da empresa Fischer, que atua na produção de maçã, e que utiliza o sistema antigranizo como forma de proteção das plantas.

O roteiro também englobou a visita, no município de Videira, na Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri), onde o grupo conheceu as estações de pesquisa em vitivinicultura. As agendas encerraram na Prefeitura de Caçador, onde foram recebidos pelo prefeito Alencar Mendes, para conhecer a parte administrativa, jurídica e econômica do projeto de antigranizo que funciona hoje na cidade.

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Almir Felin