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Um estudo inovador apresentado no Congresso de Oncologia de Berlim e publicado na revista científica Nature revelou que as vacinas de mRNA contra a Covid-19 (como as da Pfizer/BioNTech e Moderna) podem ter um efeito benéfico em pacientes com câncer, aumentando a eficácia da imunoterapia.
Pesquisadores identificaram que a tecnologia de mRNA provoca uma forte resposta inflamatória do tipo interferon que, na prática, reprograma o sistema imunológico para reconhecer e atacar tumores que antes eram resistentes.
Principais resultados:
O estudo analisou mais de 880 pacientes com câncer de pulmão e melanoma metastático:
Sobrevida quase dobrada: Pacientes que receberam a vacina de mRNA em uma janela de 100 dias antes ou depois do início da imunoterapia tiveram uma sobrevida mediana significativamente maior.
Câncer de pulmão avançado: A sobrevida mediana aumentou de 20,6 para 37,3 meses. A taxa de sobrevivência em 3 anos subiu de 30,8% para 55,7%.
Melanoma: O risco de morte foi reduzido em quase 60%.
Especificidade: O efeito foi exclusivo das vacinas de mRNA, não ocorrendo com vacinas contra influenza ou pneumonia.
Mecanismo de ação:
A chave está no aumento da expressão da proteína PD-L1 no tumor.
"Capa de Invisibilidade": A PD-L1 atua como uma "capa de invisibilidade", impedindo que as células imunológicas reconheçam o câncer.
Reprogramação: A vacina de mRNA aumenta a presença dessa "capa" nos tumores, paradoxalmente, tornando-os mais visíveis quando as drogas anti-PD-L1 (usadas na imunoterapia) são aplicadas para remover essa proteção.
Em resumo, a vacina de mRNA transforma tumores "frios" (pouco infiltrados) em tumores "quentes" (com alta resposta imunológica), fortalecendo a ação das imunoterapias.
Os autores destacam que, no futuro, a tecnologia de mRNA pode ser usada como um poderoso modulador imunológico para potencializar tratamentos oncológicos.
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