Vacinas de mRNA contra Covid-19 podem potencializar imunoterapia e dobrar sobrevida de pacientes com câncer
Estudo publicado na Nature revela que a tecnologia "reprograma" o sistema imunológico, tornando tumores resistentes mais sensíveis ao tratamento oncológico
Publicado em 29/10/2025 às 17:00
Atualizado em 29/10/2025 às 09:32
Capa Vacinas de mRNA contra Covid-19 podem potencializar imunoterapia e dobrar sobrevida de pacientes com câncer

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Um estudo inovador apresentado no Congresso de Oncologia de Berlim e publicado na revista científica Nature revelou que as vacinas de mRNA contra a Covid-19 (como as da Pfizer/BioNTech e Moderna) podem ter um efeito benéfico em pacientes com câncer, aumentando a eficácia da imunoterapia.

Pesquisadores identificaram que a tecnologia de mRNA provoca uma forte resposta inflamatória do tipo interferon que, na prática, reprograma o sistema imunológico para reconhecer e atacar tumores que antes eram resistentes.

Principais resultados:

O estudo analisou mais de 880 pacientes com câncer de pulmão e melanoma metastático:

  • Sobrevida quase dobrada: Pacientes que receberam a vacina de mRNA em uma janela de 100 dias antes ou depois do início da imunoterapia tiveram uma sobrevida mediana significativamente maior.

  • Câncer de pulmão avançado: A sobrevida mediana aumentou de 20,6 para 37,3 meses. A taxa de sobrevivência em 3 anos subiu de 30,8% para 55,7%.

  • Melanoma: O risco de morte foi reduzido em quase 60%.

  • Especificidade: O efeito foi exclusivo das vacinas de mRNA, não ocorrendo com vacinas contra influenza ou pneumonia.

Mecanismo de ação:

A chave está no aumento da expressão da proteína PD-L1 no tumor.

  1. "Capa de Invisibilidade": A PD-L1 atua como uma "capa de invisibilidade", impedindo que as células imunológicas reconheçam o câncer.

  2. Reprogramação: A vacina de mRNA aumenta a presença dessa "capa" nos tumores, paradoxalmente, tornando-os mais visíveis quando as drogas anti-PD-L1 (usadas na imunoterapia) são aplicadas para remover essa proteção.

Em resumo, a vacina de mRNA transforma tumores "frios" (pouco infiltrados) em tumores "quentes" (com alta resposta imunológica), fortalecendo a ação das imunoterapias.

Os autores destacam que, no futuro, a tecnologia de mRNA pode ser usada como um poderoso modulador imunológico para potencializar tratamentos oncológicos.

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Almir Felin