Produção de leite consolida 3ª posição nacional e impulsiona economia da agricultura familiar gaúcha
Nova edição do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite, a ser lançada na Expointer 2025, trará o desempenho do setor nos últimos dois anos
Publicado em 14/07/2025 às 08:11
Capa Produção de leite consolida 3ª posição nacional e impulsiona economia da agricultura familiar gaúcha

O Rio Grande do Sul mantém sua posição de destaque na produção leiteira nacional, sendo o terceiro maior produtor do Brasil com cerca de 4 bilhões de litros de leite ao ano. Essa produção representa aproximadamente 11,6% do total nacional, considerando tanto os estabelecimentos que comercializam para indústrias e cooperativas quanto aqueles com agroindústria própria legalizada.

Conforme o Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no RS, elaborado pela Emater/RS-Ascar, o rebanho gaúcho é composto por 944,2 mil vacas, predominantemente das raças Holandesa e Jersey, que juntas representam 96,3% do material genético utilizado. A publicação de 2023 é a quinta edição de uma série iniciada há uma década, e um novo relatório, que trará o desempenho do setor nos últimos dois anos, será divulgado na Expointer, de 30 de agosto a 7 de setembro de 2025.

A bovinocultura de leite é uma atividade econômica de suma importância para a agricultura familiar do Estado, presente em quase a totalidade dos municípios gaúchos (453), com destaque para a Região Noroeste. Estima-se que a produção de leite no Rio Grande do Sul gere aproximadamente R$ 11 bilhões por ano. A cada mês, a atividade contribui com cerca de R$ 1,84 milhão por município com produção leiteira, valor relevante para a economia de uma parcela significativa das cidades gaúchas.

A Emater/RS-Ascar foca no fortalecimento da cadeia produtiva leiteira, desenvolvendo ações de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) para promover acesso a políticas públicas, capacitação, assistência técnica continuada e orientações sobre manejo e controle sanitário. A produção de leite gera renda e emprego no meio rural, contribuindo significativamente para o Produto Interno Bruto (PIB) e a segurança alimentar.

Segundo dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) na “Radiografia da Agropecuária Gaúcha”, a produção de leite representa 8% do Valor Bruto da Produção do Estado, atrás apenas da soja, arroz e frango. O setor é responsável pela manutenção de mais de 30 mil famílias no campo, dinamizando a economia gaúcha.

Apesar de uma redução de cerca de 60% no número de produtores entre 2015 e 2023, observa-se um aumento nos investimentos, ampliação de plantéis, qualificação da estrutura de produção e investimento em tecnologias para aumentar a produção e produtividade, conforme destacado pelo extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Jaime Ries.

Saúde do rebanho, planejamento e genética

O planejamento forrageiro dos pastos, com o cultivo antecipado de pastagens de inverno (como aveia e azevém) e verão (milheto ou capim sudão), é fundamental para o bom desempenho da produção leiteira gaúcha. A suplementação alimentar é crucial, especialmente em estações mais frias, para garantir a saúde e a produtividade dos animais. No Rio Grande do Sul, o sistema "a pasto com suplementação", onde os animais permanecem livres com acesso à pastagem na maior parte do dia, é utilizado por 84% dos estabelecimentos produtores.

Além das condições climáticas favoráveis, a qualidade genética do rebanho e a possibilidade de cultivar forrageiras de inverno e verão de ótima qualidade, aliadas à mão de obra familiar, conferem grande potencial de desenvolvimento à bovinocultura de leite no Estado. Segundo o extensionista da Emater/RS-Ascar, Leandro Ebert, o Rio Grande do Sul possui uma característica climática única que facilita a produção de forragens o ano todo, inclusive uma terceira safra com silagem outonal, resultado de uma parceria com a Embrapa Trigo.

Ebert ressalta que o assessoramento permanente e o acesso a políticas públicas, como o recém-lançado Programa Terra Forte, fomentam o interesse das famílias em buscar qualificação e informação técnica para aplicar em suas propriedades, resultando em mais produtividade e geração de renda que permanece no município, contribuindo para a manutenção das famílias no campo.

Um exemplo disso é a família do produtor Gilson Mazzarro, de Júlio de Castilhos, que trabalha há mais de três décadas com bovinocultura de leite. Ele destaca a dedicação e o apoio contínuo da Emater na implementação de tecnologias, como rede de água e sala de ordenha, além de incentivos para o desenvolvimento de cultivares e manejo de piquetes, resultando em melhoria da rentabilidade da propriedade.

Selo Sabor Gaúcho: qualidade que fortalece a agricultura familiar

Apesar da redução no número de produtores de menor escala, os que permanecem na atividade estão se especializando e investindo em tecnologias e equipamentos para aumentar a produção e garantir a qualidade do produto. Grande parte desses produtos da cadeia leiteira ostenta o Selo Sabor Gaúcho, uma certificação da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR).

O selo garante a origem da produção agroindustrial familiar, incluindo a leiteira, e atesta que os produtos são provenientes de estabelecimentos regularizados nos aspectos ambiental, sanitário e tributário, conforme o Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf). O Selo Sabor Gaúcho fortalece a agricultura familiar, promove o desenvolvimento sustentável e a geração de emprego e renda no campo.

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