Brasil registra primeiros casos da variante XFG do coronavírus
Oito ocorrências foram confirmadas em São Paulo e no Ceará
Publicado em 10/07/2025 às 07:49
Atualizado em 10/07/2025 às 07:52
Capa Brasil registra primeiros casos da variante XFG do coronavírus

Foto de Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Brasil confirmou os primeiros casos da nova variante do coronavírus, XFG, também conhecida como “Stratus”. Com ampla circulação no Sudeste Asiático e já identificada em 38 países, a variante foi detectada em oito pacientes brasileiros até agora, sem registro de óbitos. Segundo o Ministério da Saúde, as ocorrências foram documentadas entre maio e junho, sendo dois casos no Estado de São Paulo e seis no Ceará.

Recentemente, a XFG foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma variante “sob monitoramento” devido ao rápido aumento em sua circulação. Apesar disso, o risco à saúde pública, em nível global, é avaliado pela entidade como baixo.

Até o dia 22 de junho, 1.648 testes positivos para a variante foram documentados no mundo, representando 22,7% das amostras analisadas globalmente entre 26 de maio e 1º de junho, um aumento significativo em comparação com os 7,4% de quatro semanas antes. No Sudeste Asiático, a presença da XFG passou de 17,3% para 68,7% no mesmo período, e na Índia a variante já é dominante.

Perfil e nível de risco

A XFG faz parte da família Ômicron e é uma combinação das variantes LF.7 e LP.8.1.2. A amostra mais antiga foi coletada em 27 de janeiro de 2025. Em comparação com outras linhagens em circulação, ela apresenta um perfil de mutação diferente na proteína Spike, o que, segundo análises da OMS, a torna um pouco mais capaz de escapar da resposta do sistema imunológico em comparação com a LP.8.1.

O infectologista Renato Grinbaum, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), ressalta que o fato de a XFG ter mais mutações é um motivo de atenção. "Existe a possibilidade, ainda que remota, de termos casos mais graves, mas não como os que tivemos em 2020", afirma. Contudo, ainda não há evidências de que a gravidade do quadro associado à XFG seja maior do que a causada por outras variantes. O especialista tranquiliza a população, afirmando que "não é para se apavorar ou achar que nós viveremos uma nova pandemia. Isso não é a verdade."

A designação “em monitoramento” é a menos urgente das categorias da OMS para variantes, que incluem também “variante de interesse” e “variante preocupante”.

Sintomas e vacinação

Os sintomas associados à XFG são semelhantes aos das demais linhagens do SARS-CoV-2. Um ponto de diferença, segundo Grinbaum, é que sinais gastrointestinais, como dor abdominal e diarreia, são um pouco mais frequentes, além de rouquidão.

A OMS espera que as vacinas contra a Covid-19 atualmente aprovadas permaneçam eficazes contra a XFG, evitando o agravamento da doença. Assim, a imunização é a principal forma de se proteger, conforme aponta o Ministério da Saúde.

Em 2025, mais de 14,2 milhões de doses já foram distribuídas em todo o país. Desde 2024, a vacina contra a Covid-19 passou a integrar o calendário nacional para gestantes, idosos e crianças, sendo aplicada em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

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