Foto de João Alfredo de Oliveira Sampaio, extensionista da Emater/RS-Ascar
A chegada do inverno acende um alerta para os piscicultores gaúchos. As baixas temperaturas afetam diretamente o metabolismo dos peixes, exigindo maior atenção à reposição hídrica e ao controle da lotação dos viveiros. Nesse período, a adoção de técnicas de manejo específicas pode potencializar o desempenho e a sanidade das espécies.
João Alfredo de Oliveira Sampaio, extensionista rural e zootecnista da Emater/RS-Ascar, destaca uma estratégia para aumentar a temperatura média do viveiro: "Uma estratégia para aumentar a temperatura média do viveiro é o uso de aeradores, que, ligados nas horas mais quentes do dia, irão misturar a água fria do fundo com a água da superfície que se aquece mais e, com isso, poderemos ter um ganho de até 1?C neste ambiente". A temperatura da água influencia diretamente a vida dos peixes, impactando sua respiração, alimentação, digestão, excreção, movimentação e reprodução.
Técnicas de manejo essenciais
O frio intenso e as chuvas frequentes durante o outono e o inverno impõem desafios significativos ao setor da piscicultura. Esses fatores afetam o apetite e o crescimento dos peixes, impactando a produtividade. Além disso, o excesso de chuvas pode levar ao transbordamento de açudes, diminuindo a qualidade da água e aumentando o risco de doenças, o que reforça a importância do manejo adequado para a sanidade dos viveiros.
– É importante a limpeza do fundo do viveiro de forma periódica. Para isso é preciso retirar os peixes, secar o açude, desinfetar com cal e com sol e remover o excesso de material orgânico –, esclarece Sampaio. A limpeza é fundamental para garantir a saúde dos peixes e a qualidade da água, pois a retirada regular de resíduos orgânicos ajuda a evitar a proliferação de microrganismos patogênicos e a deterioração da qualidade da água, riscos que podem ser agravados pelas chuvas intensas.
Além da limpeza, é crucial monitorar os níveis de oxigênio dissolvido e o pH da água, que podem sofrer alterações com o acúmulo de matéria orgânica e a entrada de água de enxurradas. A manutenção das estruturas, como canais de drenagem, telas de contenção e sistemas de aeração, também deve ser reforçada no inverno para garantir um ambiente estável e seguro para os peixes.
Saúde e alimentação monitoradas
A má qualidade da água favorece a propagação de agentes causadores de doenças. Por isso, é essencial manter o monitoramento constante da água, controlar a densidade nos viveiros, realizar quarentena de novos lotes e, se necessário, utilizar ações corretivas.
Os peixes reagem naturalmente às alterações de temperatura. No entanto, variações muito frequentes que superam a capacidade de adaptação das espécies causam estresse, levando à debilidade orgânica e à ocorrência de doenças. O estresse térmico os torna mais vulneráveis a infecções bacterianas, fúngicas e parasitárias, como a saprolegniose (fungo), a aeromoníase (bactéria) e infestações por protozoários.
– As temperaturas negativas podem causar debilidade orgânica, o que abre as portas para a queda da resistência e a possível ocorrência de doenças nos peixes –, explica Sampaio.
Com a redução do metabolismo, os animais consomem menos ração. "Naturalmente, os peixes aumentam ou reduzem o consumo de ração em função da temperatura, então é necessário que o criador tenha a sensibilidade de observar isso e ir adaptando o fornecimento de ração, dos subprodutos da produção e do pasto, conforme as necessidades e o período do ano", complementa o extensionista.
Observar o comportamento dos peixes e buscar as orientações técnicas dos extensionistas rurais da Emater/RS-Ascar é fundamental para o sucesso da piscicultura durante o período de baixas temperaturas.
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