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O mercado automotivo do Rio Grande do Sul registrou crescimento de 4,5% no mês de abril em comparação com março, com 14.772 veículos emplacados. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 9, pelo Sincodiv/Fenabrave-RS, entidades que representam os concessionários e distribuidores de veículos no Estado. Apesar da alta, o desempenho ainda não atingiu a projeção anual de 5%, conforme destacou o presidente Jefferson Fürstenau.
— Os números são positivos, mas estão abaixo do que esperávamos. Projetamos um crescimento de 5% para 2025, e no acumulado do primeiro quadrimestre tivemos alta de 4,01% no Estado, enquanto o Brasil cresceu 5,70% —, afirmou Fürstenau.
Segundo o dirigente, a comparação com os dados nacionais revela um sinal de alerta. Pela primeira vez desde as enchentes, o Rio Grande do Sul apresenta crescimento inferior ao do restante do país. Um dos fatores que explica essa diferença é o desempenho do setor de duas rodas.
— Em motos, tivemos crescimento de 6,55% de março para abril, mas uma queda de 1,88% em relação a abril do ano passado. No Brasil, o setor cresceu 10,04% no mês e 8,96% no quadrimestre. Nosso setor de duas rodas não acompanha o ritmo nacional —, lamentou.
Caminhões: impulso inicial com ICM, mas ritmo começa a desacelerar
Em relação ao segmento de caminhões, abril registrou uma queda de 4,81% nas vendas em comparação com março. No entanto, no acumulado do ano, o resultado ainda é expressivo: crescimento de 15,95%, com 3.013 unidades vendidas contra 2.590 no mesmo período de 2024.
— A isenção do ICMS sobre ativos imobilizados, concedida pelo governo estadual para a substituição de veículos perdidos nas enchentes, teve impacto significativo no início do ano. Mas essa demanda já começa a se esgotar —, avaliou Fürstenau.
Entrada de novas marcas desafia o setor tradicional
A chegada de novas marcas ao Estado também tem gerado um novo cenário de concorrência e desafios para as concessionárias já estabelecidas. Conforme Fürstenau, ao menos quatro novas marcas estão sendo inauguradas no RS somente neste mês.
— A entrada de novas marcas pulveriza o mercado. As concessionárias mais antigas acabam vendendo menos por ponto de venda. Além disso, há necessidade de mais mão de obra, o que cria uma nova demanda por capacitação e contratações —, apontou o presidente.
Segundo ele, o setor automotivo hoje é um dos que mais emprega no Estado, com grande investimento em formação profissional para acompanhar a expansão da rede de concessionárias.
Crédito restrito e juros altos impactam vendas
Outro fator de preocupação é a alta na taxa de juros, que impacta diretamente o financiamento de veículos, especialmente os de passeio.
— Já vínhamos enfrentando restrição de crédito, com bancos mais exigentes. Agora, com o aumento da Selic, o custo do dinheiro fica ainda mais alto, o que freia as vendas. Isso nos preocupa, mas ainda acreditamos em um crescimento de 5% neste ano —, concluiu Jefferson Fürstenau.
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