Soja tem 80% das lavouras colhidas no Rio Grande do Sul
A colheita é favorecida por condições climáticas estáveis, com predomínio de dias ensolarados e de tempo seco
Publicado em 25/04/2025 às 09:23
Capa Soja tem 80% das lavouras colhidas no Rio Grande do Sul

A colheita da soja no Rio Grande do Sul avança de forma significativa, alcançando 80% das áreas semeadas na safra 2024/2025, estando 17% das lavouras em maturação e 3% em enchimento de grãos. De acordo com a Emater/RS-Ascar, a colheita é favorecida por condições climáticas estáveis, com predomínio de dias ensolarados e de tempo seco, o que contribuiu também para as operações de logística.

A sequência de dias secos reduziu os teores dos grãos de soja colhidos, que variou entre 12% e 13%, eliminando a necessidade de secagem nos pontos de armazenamento e, assim, acelerando o escoamento, atrasado pelas chuvas de abril. A baixa umidade nos grãos também viabiliza a reserva de sementes próprias para a próxima safra, as quais apresentam potencial qualitativo satisfatório, dada a sanidade das lavouras e a secagem natural em campo.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, o tempo seco proporcionou a intensificação da colheita. Em Uruguaiana, onde predominam lavouras irrigadas, principalmente no sistema sulco-camalhão, as produtividades variam de 1.200 a mais de 3.000 kg/ha, reflexo de falhas na irrigação, seja pela priorização do abastecimento das lavouras de arroz, seja por deficiências técnicas associadas a altas temperaturas durante o período reprodutivo.

Na Campanha, em Hulha Negra, cerca de 40% das lavouras foram colhidas e as produtividades variam de 600 kg/ha (em áreas periciadas pelo Proagro) a mais de 3.000 kg/ha. Foram aplicados fungicidas em lavouras implantadas no final de janeiro. A dessecação tem sido necessária principalmente em áreas replantadas ou com baixa população, onde houve presença de plantas daninhas.

MILHO
Em comparação aos outros cultivos de verão, a colheita de milho segue sendo executada de forma mais lenta e escalonada, atingindo 89% das lavouras, principalmente no Nordeste do Estado. Nas regiões minifundiárias, a operação evoluiu pouco, condicionada ao uso do cereal para consumo interno das propriedades.

As lavouras tardias (4% em enchimento de grãos e outros 7% em maturação) apresentam bom potencial produtivo, favorecido pela ocorrência de chuvas nos estádios críticos de desenvolvimento e por temperaturas amenas, que têm permitido maior acúmulo de fotoassimilados.

Paralelamente, os produtores se organizam para o plantio da Safra 2025/2026, realizando a semeadura de cobertura vegetal, especialmente nabo forrageiro, visando à posterior dessecação. Na aquisição de sementes, há preferência por cultivares precoces e com tolerância à cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), estratégia alinhada a condições de mercado mais favoráveis e ao manejo fitossanitário preventivo.

MILHO SILAGEM
A colheita de milho silagem avançou de forma significativa, beneficiada pelo tempo seco, que otimizou a operação e ajustou para níveis ideais (entre 30% e 35%) o teor de umidade da matéria verde destinada à ensilagem. Esse índice é essencial para a fermentação homogênea e preservação nutricional. Além disso, a secagem acelerada reduziu riscos de atividade microbiana indesejada e perdas por fermentação secundária, reforçando a qualidade do silo. Estima-se que 88% da área foi colhida, 4% estão em início de maturação fisiológica, e 8% em enchimento de grãos.

ARROZ
A colheita do arroz avançou e alcança 87%, favorecida pelo tempo seco ao longo do período. Em algumas localidades, foram registradas dificuldades operacionais decorrentes de neblina densa e dias nublados. Porém, a partir da quinta-feira passada (17/04), as condições meteorológicas melhoraram de forma significativa e a colheita prosseguiu, com mínima incidência de danos mecânicos, pela redução dos teores de umidade dos grãos para patamares abaixo de 18%. Contudo, a grande amplitude térmica observada no período, com temperaturas diurnas superiores a 30°C e mínimas abaixo de 10°C, tem intensificado a suscetibilidade dos grãos à quebra durante a colheita e o beneficiamento, impactando a classificação comercial.

FEIJÃO
A 1ª safra de feijão no Estado foi concluída e a estimativa de produtividade está em 1.838 kg/ha em uma área de 49.901 hectares. Já a colheita da 2ª safra de feijão alcançou 20% dos cultivos, beneficiada pelas condições climáticas. Estão 22% das lavouras de feijão em maturação, 38% em enchimento de grãos, 12% em floração, e 8% em desenvolvimento vegetativo. A produtividade obtida está próxima a 1.300 kg/ha.

PASTAGENS E CRIAÇÕES
As pastagens de aveia apresentam bom estabelecimento. As espécies de verão entram em declínio, sendo gradualmente substituídas. As pastagens perenes e o campo nativo ainda asseguram oferta de forragem. Em razão da diminuição das chuvas, intensificam-se as práticas de conservação, como fenação e produção de pré-secado, e aumenta a demanda por sementes de forrageiras de inverno.

BOVINOCULTURA DE LEITE
Considerando a fase final das pastagens cultivadas, caracterizada por maior teor de matéria seca e menor concentração proteica, os animais mantêm escore corporal satisfatório devido à suplementação com ração concentrada. São realizadas práticas de monitoramento e controle sanitário, com ênfase no manejo de carrapatos.

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