O diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, afirmou nesta semana, que os preços de carne e ovos apresentaram um arrefecimento, mas alertou que isso não significa necessariamente uma queda nos valores ao consumidor. O economista participou do Ciclo de Palestras da Faculdade ESEG, em São Paulo, para discutir a conjuntura econômica do país.
– Alimentação no domicílio teve variação elevada, mas com alguma moderação. O café e os ovos, que estiveram em evidência devido à alta recente, mostraram certa desaceleração. O mesmo ocorre com carnes, óleo de soja, leite e arroz, que tiveram aumentos expressivos no quarto trimestre de 2024, mas agora começam a se estabilizar –, explicou Guillen.
O diretor destacou que o conceito de arrefecimento se refere à inflação – a taxa de variação dos preços –, e não à redução dos valores em si. “O preço pode continuar alto, mas se ele não subir ainda mais, a inflação desaparece”, detalhou.
Crescimento e juros sob análise
Durante o evento, Guillen afirmou que a projeção de crescimento do PIB para 2025 foi revisada pelo Banco Central, passando de 2,1% para 1,9%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) da última semana.
Além disso, mencionou que o hiato do produto – indicador que mede a diferença entre a produção da economia e seu potencial – deve se tornar negativo em 18 meses, sinalizando desaceleração no crescimento econômico.
Já sobre a Selic, taxa básica de juros, Guillen reforçou que a política monetária seguirá um ciclo de ajuste, mas em ritmo menor. “O Copom indicou um ajuste de menor magnitude na próxima reunião, considerando as defasagens na política monetária e o cenário de incerteza”, disse.
Mercado de trabalho e impactos na inflação
Outro ponto abordado foi o comportamento do mercado de trabalho, que ainda gera dúvidas para o Banco Central. Guillen explicou que, ao longo de 2023, a taxa de desemprego caiu, mas o impacto disso na inflação segue incerto.
– A grande questão é: qual a taxa de desemprego que não pressiona a inflação? Será que é a mesma do pré-pandemia? Será que mudou após a reforma trabalhista? Ainda há muitas incertezas –, analisou.
Guillen também mencionou que o Banco Central monitora o crescimento dos salários como um fator de influência na inflação. Segundo ele, o poder de barganha dos trabalhadores e a evolução dos rendimentos são indicadores importantes para o cenário econômico.
Com a política monetária ainda ajustando os rumos da economia e um cenário de incerteza, o Banco Central segue atento aos desdobramentos da inflação e do crescimento no Brasil.
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