As altas temperaturas que vêm sendo registradas em todo o Grande Sul trazem consigo uma preocupação crescente com a saúde da pele, especialmente entre os trabalhadores expostos ao sol, como os profissionais da construção civil. De acordo com a dermatologista Cíntia Pessin, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Seção RS, a exposição prolongada aos raios solares pode resultar em queimaduras solares e até no desenvolvimento de câncer de pele, com riscos ainda mais elevados durante o verão.
Em entrevista, a especialista alertou que os cuidados com a pele devem ser constantes, independentemente da estação. “A radiação solar é um fator presente ao longo do ano, mas no verão, sua intensidade aumenta. Estamos mais expostos devido à proximidade do sol, e por isso, sentimos o efeito do calor de forma mais intensa. A radiação UVA, que causa manchas e envelhecimento da pele, está presente ao longo de todo o dia, enquanto a radiação UVB, mais intensa, causa câncer de pele e é mais forte ao meio-dia”, explicou.
Para a dermatologista, o uso de protetor solar é indispensável e deve ser adotado por todos, todos os dias, e não apenas durante os períodos de maior exposição solar.
– Eu costumo dizer que após tomar café da manhã e escovar os dentes, é essencial já aplicar o filtro solar. Além disso, é importante realizar a reaplicação ao longo do dia, especialmente para aqueles que ficam expostos ao sol de forma contínua. Para quem sente dificuldade com o calor excessivo e o suor, a proteção física, como o uso de chapéu e roupas de manga longa, pode complementar ou até substituir o protetor solar, ajudando a proteger a pele de forma eficaz –, ressaltou a dermatologista.
Pessin ainda destacou a importância de proteger áreas muitas vezes negligenciadas, como as orelhas e o couro cabeludo. Para quem tem cabelo mais curto ou fino, o chapéu é uma alternativa mais eficaz que o boné, pois protege a região do pescoço e as orelhas.
A profissional também alertou para o cuidado redobrado com crianças e idosos, que possuem a pele mais sensível e, portanto, requerem atenção especial. “As crianças até 6 meses de idade não devem se expor ao sol. A partir dos 6 meses, indicamos o uso de protetores solares específicos para bebês, com maior proteção física. Já para os idosos, é importante evitar a exposição ao sol entre 10h e 15h, horários de maior radiação. Além disso, o uso de roupas leves de algodão, chapéu e óculos de sol ajudam a minimizar os efeitos da radiação, protegendo tanto a pele quanto os olhos”, orientou.
Outro ponto levantado pela dermatologista foi a necessidade de reaplicar o protetor solar após banhos de mar ou piscina. A radiação solar, refletida na água, pode causar queimaduras mais intensas, aumentando o risco de danos à pele.
– É essencial reaplicar o filtro solar a cada uma hora ou após se molhar. Mesmo os protetores solares resistentes à água perdem a eficácia após imersões prolongadas. Além disso, a aplicação do filtro solar deve ser feita 30 minutos antes da exposição ao sol, para garantir que a pele esteja protegida de forma adequada –, completou.
A especialista também recomendou o uso de roupas com proteção solar, que podem ser uma alternativa prática e eficaz para quem vai passar o dia na praia ou na piscina, principalmente para crianças. Essas roupas especiais podem dispensar a aplicação de protetor solar em áreas cobertas, proporcionando uma proteção contínua.
Com essas orientações, a dermatologista Cíntia Pessin reforça a importância de cuidados diários com a pele, não só durante as férias ou no verão, mas ao longo de todo o ano. As medidas de proteção solar são essenciais para preservar a saúde da pele e prevenir doenças graves como o câncer de pele.
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