Câncer ultrapassa doenças cardiovasculares como principal causa de morte em partes do Brasil
Pesquisa revela aumento expressivo nas taxas de mortalidade por câncer, enquanto óbitos por doenças cardiovasculares caem
Publicado em 27/12/2024 às 17:00
Atualizado em 27/12/2024 às 09:17
Capa Câncer ultrapassa doenças cardiovasculares como principal causa de morte em partes do Brasil

Foto de Reprodução

Uma análise publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas revelou que o câncer já supera as doenças cardiovasculares como principal causa de morte em mais de 700 municípios brasileiros. O estudo avaliou dados de 5.570 cidades entre 2000 e 2019, identificando uma queda significativa de 29% nas mortes por doenças cardiovasculares e, em contrapartida, um aumento de 9% nos óbitos causados por câncer no mesmo período.

Os dados mostram que a redução nas mortes cardiovasculares ocorreu em quase todos os estados do Brasil, enquanto as taxas de mortalidade por câncer subiram em 15 unidades federativas, especialmente no Norte e Nordeste. Entre os estados mais afetados pelo aumento de casos fatais estão Paraíba, Tocantins, Piauí e Maranhão.

No recorte regional, Sul e Sudeste concentram 80% das cidades onde o câncer lidera como principal causa de óbitos. Segundo os pesquisadores, fatores como envelhecimento populacional, tabagismo, sedentarismo e exposição inadequada ao sol impulsionam os índices.

Cenário preocupante

Maria Paula Curado, epidemiologista do A.C.Camargo Cancer Center e coautora do estudo, destacou o impacto das disparidades regionais no acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer. “Embora tenhamos avançado no combate às doenças cardiovasculares, o câncer exige uma abordagem mais ampla, dado que muitos tipos são complexos de prevenir e tratar”, explicou.

De acordo com o levantamento, 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados com mudanças nos hábitos de vida, e o diagnóstico precoce pode aumentar a sobrevida em mais de 80%. No entanto, a mortalidade prematura (entre 30 e 69 anos) é mais evidente em áreas do Norte e Nordeste, onde a infraestrutura de saúde apresenta mais limitações.

Medidas necessárias

Para enfrentar o cenário alarmante, especialistas defendem:

  • Ampliação do acesso: maior investimento em exames preventivos e tratamentos, especialmente em regiões mais vulneráveis.
  • Campanhas educativas: conscientização sobre os fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce.
  • Integração de políticas públicas: ações que priorizem a equidade no atendimento oncológico.

O estudo reforça a urgência de estratégias nacionais mais robustas para conter o avanço do câncer, especialmente em locais onde o acesso à saúde ainda é insuficiente.

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