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Uma análise publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas revelou que o câncer já supera as doenças cardiovasculares como principal causa de morte em mais de 700 municípios brasileiros. O estudo avaliou dados de 5.570 cidades entre 2000 e 2019, identificando uma queda significativa de 29% nas mortes por doenças cardiovasculares e, em contrapartida, um aumento de 9% nos óbitos causados por câncer no mesmo período.
Os dados mostram que a redução nas mortes cardiovasculares ocorreu em quase todos os estados do Brasil, enquanto as taxas de mortalidade por câncer subiram em 15 unidades federativas, especialmente no Norte e Nordeste. Entre os estados mais afetados pelo aumento de casos fatais estão Paraíba, Tocantins, Piauí e Maranhão.
No recorte regional, Sul e Sudeste concentram 80% das cidades onde o câncer lidera como principal causa de óbitos. Segundo os pesquisadores, fatores como envelhecimento populacional, tabagismo, sedentarismo e exposição inadequada ao sol impulsionam os índices.
Cenário preocupante
Maria Paula Curado, epidemiologista do A.C.Camargo Cancer Center e coautora do estudo, destacou o impacto das disparidades regionais no acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer. “Embora tenhamos avançado no combate às doenças cardiovasculares, o câncer exige uma abordagem mais ampla, dado que muitos tipos são complexos de prevenir e tratar”, explicou.
De acordo com o levantamento, 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados com mudanças nos hábitos de vida, e o diagnóstico precoce pode aumentar a sobrevida em mais de 80%. No entanto, a mortalidade prematura (entre 30 e 69 anos) é mais evidente em áreas do Norte e Nordeste, onde a infraestrutura de saúde apresenta mais limitações.
Medidas necessárias
Para enfrentar o cenário alarmante, especialistas defendem:
- Ampliação do acesso: maior investimento em exames preventivos e tratamentos, especialmente em regiões mais vulneráveis.
- Campanhas educativas: conscientização sobre os fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce.
- Integração de políticas públicas: ações que priorizem a equidade no atendimento oncológico.
O estudo reforça a urgência de estratégias nacionais mais robustas para conter o avanço do câncer, especialmente em locais onde o acesso à saúde ainda é insuficiente.
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