A gripe aviária, até então associada exclusivamente a aves, tem causado preocupação crescente entre especialistas em saúde devido à sua adaptação para infectar mamíferos e humanos. Nos Estados Unidos, o vírus H5N1 passou a se espalhar entre vacas leiteiras, aumentando os temores de uma possível pandemia.
Embora a transmissão entre humanos ainda não tenha ocorrido, um estudo recente publicado na revista Science sugere que o vírus está a apenas uma mutação de distância de se tornar mais eficiente em infectar pessoas.
Desde 2021, mais de 300 milhões de aves domésticas foram abatidas devido ao vírus, enquanto espécies de mamíferos, como leões-marinhos e focas, também sofreram surtos. O H5N1, que surgiu na China em 1996, expandiu-se globalmente nos últimos anos, alcançando áreas antes intocadas, como a Antártica.
Nos EUA, dois casos humanos foram confirmados neste ano, e uma investigação revelou que cerca de 7% dos trabalhadores em laticínios nas regiões afetadas apresentaram anticorpos contra o vírus, indicando infecções não detectadas.
Risco de mutação
O virologista Ed Hutchinson, da Universidade de Glasgow, alertou que o vírus pode estar a "um passo simples" de se tornar mais perigoso para os humanos. Estudos apontaram que o H5N1 já começa a evoluir para se adaptar melhor às células humanas, embora ainda existam barreiras naturais à sua disseminação.
Meg Schaeffer, epidemiologista de doenças infecciosas, destaca que o risco cresce à medida que o vírus infecta mais espécies. Uma pandemia de gripe aviária seria particularmente grave devido à falta de imunidade acumulada na população.
Preocupação com o consumo de leite cru
O Departamento de Agricultura dos EUA anunciou planos para testar o suprimento de leite do país após o surto em vacas leiteiras. O leite cru, que não passa por pasteurização, é especialmente preocupante por estar mais suscetível à contaminação.
Especialistas alertam que qualquer flexibilização das restrições ao leite cru poderia aumentar significativamente os riscos à saúde pública.
Prevenção e vigilância
Para evitar uma pandemia, pesquisadores têm pedido maior cooperação entre agências de saúde globais e governos. Testes e compartilhamento de informações são considerados cruciais para monitorar o avanço do vírus.
Enquanto isso, o público é orientado a acompanhar as atualizações sobre o tema e adotar medidas preventivas, como evitar contato com animais infectados e garantir a pasteurização de produtos de origem animal.
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