Foto de Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O anúncio da manutenção da Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, em 10,5% ao ano, gerou reações diferentes das instituições ligadas aos setores de indústria e comércio do país. Enquanto para algumas a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central representa restrições à atividade econômica, para outras, reflete a incerteza sobre o equilíbrio das contas públicas.
Em junho, o Copom já havia interrompido a sequência de cortes de juros. Entre agosto do ano passado e março deste ano, houve redução constante de 0,5 ponto percentual a cada reunião. Em maio, o corte foi de 0,25 ponto percentual.
Veja os posicionamentos das instituições sobre a decisão do Copom:
CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse ser preocupante a manutenção da taxa de juros, por considerar que ela resulta em custo alto do crédito e restringe a atividade econômica brasileira.
“Esperamos que a Selic volte a ser reduzida o quanto antes. A retomada de cortes é fundamental para a redução do custo financeiro suportado pelas empresas, que se acumula ao longo das cadeias produtivas, e pelos consumidores. Caso contrário, seguiremos penalizando não só a economia brasileira, mas, principalmente os brasileiros, com menos empregos e renda”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban.
CNC
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) considerou a decisão do Copom prejudicial ao setor produtivo, por encarecer os juros. Mas disse reconhecer que, por causa da deterioração do quadro inflacionário, a medida é importante para a estabilização do cenário macroeconômico. A CNC destacou a alta das vendas no varejo, baixa taxa de desemprego a níveis históricos e renda disponível elevada, o que significaria solidez da atividade econômica e do mercado de trabalho. Por outro lado, reforçou que, apesar do avanço na arrecadação, o cenário fiscal continua gerando preocupações.
Força Sindical
A Força Sindical classificou como absurda a decisão do Copom. Disse que o país continua refém de interesses dos rentistas e que taxas mais altas de juros premiam os especuladores. Em nota, a instituição afirma que o Brasil perde outra chance de apostar na produção, consumo e geração de empregos. E que o pagamento de juros por parte do governo consome e restringe consideravelmente as possibilidades de crescimento do país, bem como os investimentos em educação, saúde, segurança e infraestrutura.
Fiergs
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, afirma que a manutenção reflete a preocupação com o recente aumento das expectativas de inflação e a incerteza fiscal do governo brasileiro.
— Embora entendamos a necessidade de fazer a inflação ficar dentro da meta, o setor industrial do Rio Grande do Sul enfrenta dificuldades significativas, agravadas pelos efeitos das enchentes. A manutenção dos juros altos aumenta os custos de empréstimos e financiamentos, dificultando a recuperação econômica das empresas locais — diz Bier.
Segundo Bier, a Fiergs espera que nos próximos meses o governo federal se comprometa com as metas fiscais estabelecidas no arcabouço fiscal, de modo que o cenário macroeconômico permita uma redução dos juros.
Fecomércio-RS
O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, se manifestou por meio de nota. No texto, ele afirma que "a decisão foi tomada diante de um cenário que tem se tornado mais complexo, com atividade mais resiliente, mercado de trabalho apertado, câmbio mais depreciado, expectativas desancoradas e a forte dúvida relacionada à capacidade do governo de manter as contas equilibradas".
"Nesse contexto, a cautela aumenta e a política monetária tem que seguir contracionista para levar a inflação à meta. Juros mantidos mais altos por mais tempo, remédio amargo que infelizmente é necessário, sempre penalizam a atividade econômica e, sem dúvida, se colocam como desafio adicional à nossa retomada gaúcha", prossegue o texto.
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