Produtores de trigo enfrentam desafios climáticos e econômicos na região
Emater/RS-Ascar relata atrasos na semeadura e preocupação com custos elevados de produção
Publicado em 23/07/2024 às 17:00
Atualizado em 23/07/2024 às 15:27
Capa Produtores de trigo enfrentam desafios climáticos e econômicos na região

Foto de José Schafer/Emater/RS-Ascar

Os produtores de trigo no Rio Grande do Sul estão enfrentando sérios desafios devido às condições climáticas instáveis dos últimos dias. De acordo com a Emater/RS-Ascar, as chuvas frequentes causaram atrasos significativos na semeadura, além de retardar a emergência e o desenvolvimento das plantas devido à alta umidade do solo. Entre 11 e 18 de julho, o plantio avançou apenas 3%, alcançando 85% da área prevista de 1,31 milhão de hectares para esta safra.

O Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar destaca que o plantio do trigo está quase completo na Fronteira Oeste, mas os produtores estão preocupados com os altos custos de produção e os preços desfavoráveis do grão. Em média, os financiamentos bancários para o custeio das lavouras têm sido de R$ 3.150,00 por hectare, exigindo uma produtividade mínima de 45 sacas por hectare para cobrir os custos, incluindo encargos financeiros, seguro e arrendamento.

Diante desse cenário complexo, os agricultores precisam de atenção redobrada para superar os desafios climáticos e econômicos e assegurar uma safra produtiva.

Preços da soja serão favoráveis este ano, mas devem cair na safra 2024/25
Apesar da queda em relação a maio de 2023, os preços da soja no mercado internacional apresentaram leve recuperação nas últimas semanas, impulsionados por preocupações com a safra brasileira diante dos desastres no Rio Grande do Sul. Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a perspectiva para o restante de 2024 é positiva, com preços e fundamentos favoráveis à venda pelos produtores.

A desvalorização do real frente ao dólar americano, aliada à expectativa de melhores condições de mercado no curto prazo, estimulou os produtores brasileiros a aumentarem a comercialização da soja, pontua o relatório. Em Mato Grosso, por exemplo, a venda na porteira já alcançou 78% para a safra 2023/24 e 17% para a safra 2024/25, números bem acima da média histórica para o período.

Apesar do otimismo no curto prazo, o USDA projeta que, no futuro, os preços da soja enfrentarão forte pressão no ano safra 2024/25. Isso se deve à previsão de safra recorde nos Estados Unidos, aliada à segunda maior produção da história do Brasil.
 

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