Nesta quinta-feira, 4 de julho, o Parque da Fenarroz, em Cachoeira do Sul, será palco de uma grande mobilização de produtores rurais do Rio Grande do Sul, que participarão do movimento SOS Agro. A expectativa é reunir pelo menos 10 mil agricultores de todo o Estado, com o objetivo de alertar as autoridades sobre a situação crítica do setor agropecuário.
Os manifestantes pedem que o governo federal se pronuncie sobre as propostas apresentadas pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) em 7 de maio, que incluem a prorrogação de dívidas, a criação de uma linha de crédito com juros de 3% e prazo de pagamento de 15 anos, com até dois anos de carência.
Crise no Setor Agropecuário
O Rio Grande do Sul enfrenta a quarta safra consecutiva com perdas significativas nas atividades agropecuárias. Entre 2019 e 2022, a estiagem foi a principal causa dos prejuízos; já no ciclo 2023/24, o excesso de chuvas afetou negativamente a colheita. Conforme a Emater-RS, a perda média na produção de soja é de 2 milhões de toneladas, com algumas regiões ainda apresentando mais de 50% da área plantada sem colheita. Na Metade Sul, cerca de 10% da área foi abandonada devido à baixa qualidade dos grãos.
O estado possui uma área cultivada estimada em 6,6 milhões de hectares, com uma produtividade média de 2.923 kg/ha. Contudo, algumas regiões registraram produtividades muito abaixo dessa média. Em Hulha Negra, a média foi de 904 kg/ha, representando uma quebra de 62%, e em Dom Pedrito, 1.740 kg/ha, uma quebra de 35%. Na Fronteira Oeste, Alegrete teve uma produtividade de 1.900 kg/ha, com perdas de 32%, enquanto São Borja registrou uma média de 2.400 kg/ha, uma redução de 16%.
Impactos Generalizados
As perdas não se restringiram à soja. Outras culturas, como milho em grão e silagem, além de áreas de arroz, também sofreram severos impactos. A histórica enchente de maio afetou mais de 206 mil propriedades, sendo que 50 mil destas produziam grãos.
Atividades como a criação de suínos, aves, bovinos, bovinos de leite, hortaliças e frutas também foram significativamente prejudicadas. No meio rural, 19.190 famílias enfrentaram perdas em estruturas das propriedades, como casas, galpões, armazéns, silos, estufas e aviários. Na agroindústria, cerca de 200 empreendimentos familiares registraram prejuízos consideráveis.
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