Emater apresenta impactos das enchentes para agricultores familiares gaúchos
Os impactos chegaram a 200 agroindústrias, com danos em imóveis e equipamentos e perda de matéria-prima
Publicado em 12/06/2024 às 09:28
Atualizado em 12/06/2024 às 09:33
Capa Emater apresenta impactos das enchentes para agricultores familiares gaúchos

Foto de Mateus de Oliveira/Emater

A Emater/RS-Ascar apresentou na manhã desta terça-feira, 11, em evento realizado no auditório do Escritório Central da Instituição, em Porto Alegre, o Relatório Técnico de Impactos da crise socioclimática aos públicos da agricultura familiar. Os dados abrangem os efeitos das cheias para agricultores familiares, assentados da reforma agrária, indígenas, pescadores artesanais e remanescentes de quilombos.

Segundo o diretor técnico da Emater/RS, Claudinei Baldissera, a Instituição assessorou 152.380 famílias de agricultores familiares em 2023.

– São famílias e comunidades que vivenciam riscos e vulnerabilidades diversas, que incluem aspectos sociais, relacionais, econômicos, ambientais e culturais, com distintos níveis de desproteções, que podem variar conforme as condições de vida no território e eventuais incidências de calamidades –, salienta.

Entre os impactos para este público, 4.548 comunidades foram afetadas por problemas nas estradas; 19.190 famílias tiveram danos em construções e instalações e 14.029 moradias foram atingidas. Quanto ao abastecimento de água, 4.570 fontes foram contaminadas e 34.519 famílias ficaram sem acesso à água.

Os impactos chegaram a 200 agroindústrias, com danos em imóveis e equipamentos, perda de matéria-prima, além de dificuldades de logística e vias de comercialização. A Emater/RS-Ascar assessora 120 cooperativas da agricultura familiar, das quais 36 informaram que sofreram impactos, somando cerca de 10 mil associados afetados. Na produção animal foram 3.711 produtores com perdas nas criações e na produção vegetal 48.674 agricultores afetados nas culturas de grãos, 8.381 na fruticultura, 8.049 nas culturas de olerícolas, 49 na floricultura e 32.409 agricultores afetados em pastagens.

No que diz respeito aos impactos das cheias sobre os assentamentos da reforma agrária, o extensionista James Roth destaca que foram coletados dados como o número de lotes e famílias assentadas afetadas e desalojadas, bens comprometidos, impactos nas criações agropecuárias, nos acessos aos assentamentos, na capacidade produtiva, no solo, nas estruturas de reservação de água, áreas submersas e outros impactos relevantes, além das principais necessidades imediatas das famílias. O percentual de assentamentos do RS afetados de alguma forma chegou a 66%, com impactos sentidos em 226 deles e 7.437 lotes.

De acordo com a presidente da Emater/RS e superintendente geral da Ascar, Mara Saalfeld, o objetivo do levantamento dos dados é proporcionar subsídios às diferentes esferas de governo e demais instituições para a construção de políticas públicas em conjunto. “Nós acompanhamos de perto os efeitos dessa tragédia na vida de todas as pessoas que foram atingidas. Nossa intenção agora é minimizar as vulnerabilidades causadas pelas cheias, através da assistência social no meio rural e, de mãos dadas com as demais instituições, interferir e ajudar a construir políticas públicas, que a gente consiga minimizar isso”, salienta a presidente.

O secretário adjunto da Secretaria Estadual de Desenvovimento Rural (SDR), Lindomar do Carmo Moraes, participou da mesa de abertura do evento.

– Nós precisamos olhar com carinho para a situação dos nossos produtores, o endividamento que a crise gerou, famílias que ficaram sem nada, perderam o solo, as máquinas, a casa. Muitas vezes perderam a dignidade e a vontade de viver. E temos que retomar isso, trazer ânimo para esses agricultores, pescadores, quilombolas, assentados e indígenas, uma vez que ainda tem gente com água dentro de casa –, disse.

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