Perdas na safra de soja da região chegam a 60 mil toneladas
Cerca de R$ 120 milhões deixarão de girar na economia regional por conta dessa redução
Publicado em 11/06/2024 às 17:01
Atualizado em 11/06/2024 às 14:09
Capa Perdas na safra de soja da região chegam a 60 mil toneladas

Foto de Luan da Costa/Emater de Palmitinho

Uma safra cheia de desafios é finalizada no Rio Grande do Sul. A colheita da soja chegou ao fim no Estado, em meio a condições climática adversas, com o excesso de chuvas, que trouxe perdas significativas e redução na produtividade. Nas últimas lavouras colhidas, em que os produtores aproveitaram os breves períodos secos e ensolarados, os grãos retirados apresentaram condições físicas e sanitárias relativamente melhores, apesar do longo período de maturação a campo. 

De acordo com levantamento realizado pela Emater/RS-Ascar, as lavouras em colheita apresentaram perdas crescentes devido à debulha natural, aos grãos germinados e avariados e às falhas na trilha, causadas pelo excesso de umidade. Destaca-se, de forma geral, a perda expressiva de qualidade dos grãos.

Até o início das intensas precipitações, ocorridas após o dia 29 de abril, as produtividades obtidas eram consideradas muito satisfatórias, atingindo picos de 5.400 kg/ha e produção mediana pouco acima de 3.300 kg/ha. Entretanto, em função da impossibilidade de colheita imediata das lavouras maduras e da continuidade nas em maturação, a perspectiva para as áreas remanescentes, que representam aproximados 24% do total, foi abruptamente alterada, impactando de forma negativa, tanto a produção quanto a produtividade.

Destaca-se que a queda da produtividade da soja deverá repercutir na redução da safra estadual. A estimativa, realizada em novembro de 2023 pela Emater/RS-Ascar, indicava produção de 22.246.630 toneladas em área de 6.681.716 hectares, com produtividade de 3.329 kg/ha. A área afetada pelo evento climático está estimada em 1.490.505 hectares, e as perdas de produção são de 2.714.151 toneladas. A nova estimativa de produção estadual, descontando as perdas levantadas, deverá totalizar 19.532.479 toneladas, e a produtividade deve ser reduzida para 2.923 kg/ha.

Quase 60 mil toneladas a menos na região de Frederico Westphalen
De acordo com levantamento realizado pelo escritório regional da Emater, na região de Frederico Westphalen, a adversidade climática causou impactos na safra do grão. As chuvas prejudicaram a cultura não apenas no final do ciclo, mas as precipitações ocorridas no mês de novembro dificultaram o plantio da soja. O excesso de umidade também potencializou um outro problema, já bem conhecido pelos produtores: a ferrugem asiática. 

Segundo o gerente regional da Emater/RS-Ascar de FW, Luciano Schwerz, no início da safra, quando as condições estavam dentro da normalidade, a estimativa de produção era de 64 sacas/hectare. Após as chuvas e ao findar a colheita, a produtividade média baixou para 59 sacas/hectare.

– De maneira geral, essa chuva que atrapalhou a colheita, que estragou o grão e que teve esse cenário todo no Estado do Rio Grande do Sul, ela teve um impacto na nossa região, juntamente com as chuvas que ocorreram ao longo do ano da safra, com as dificuldades do controle de ferrugem, e isso foram os principais limitadores. Mas a nossa estimativa é que essas chuvas, agora no final do ciclo, tenham tirado em torno de 7% da produtividade de soja da nossa região, na média geral –, afirmou Schwerz.

A perda na atual safra é de 59.560 toneladas, o que representa cerca de R$ 120 milhões de reais, que deixarão de circular na economia da região. 

Além da soja, a safra de feijão também foi severamente prejudicada pelas chuvas. Segundo a Emater, houve cerca de 80% de quebra nesta segunda safra. Soma-se a isso o preço e a baixa qualidade do produto, que trazem ainda mais prejuízos aos agricultores.

Publicado por

Foto Almir Felin
Almir Felin