Preços da soja preocupam cooperativas agropecuárias gaúchas
Apesar da estimativa de safra recorde no RS, preços operam nos menores patamares dos últimos anos
Publicado em 25/01/2024 às 17:02
Capa Preços da soja preocupam cooperativas agropecuárias gaúchas

Enquanto a produção de soja no Rio Grande do Sul tende a ser positiva depois de anos de frustrações de safra, a formação dos preços para a cultura não está respondendo da mesma forma. Depois de os produtores gaúchos terem sofrido com severas estiagens por duas safras seguidas, Estado deve superar a média histórica na atual safra. Estimativas indicam que a produção tem potencial para superar as 23 milhões de toneladas. Segundo levantamento das cooperativas, o rendimento médio das lavouras deve ser de 45 a 65 sacas por hectare.

Diante do fenômeno El Niño, a safra 23/24 iniciou com desafios. A taxa de ocorrência de replantio, segundo o levantamento, foi de 2,6%, variando de 0 a 5% nas cooperativas, principalmente por conta das chuvas intensas.
Contudo, após estabelecida a cultura, o regime de precipitações vem contribuindo para o bom desenvolvimento da soja. As condições das lavouras são animadoras, com cerca de 70% sendo classificadas como boas ou excelentes. 

De acordo com o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, há diferença entre regiões, sendo que em alguns lugares as chuvas não foram uniformes, enquanto outros apresentam um potencial produtivo muito alto. "Se o clima ajudar, lógico, sempre falando de futuro, nós vamos ter uma safra boa no Rio Grande Sul, talvez uma safra excelente de soja", destaca.

Já sobre o milho, o presidente da FecoAgro/RS salienta que, em termos de produção, em alguns lugares onde a cultura foi colhida, em boa parte da região mais quente do Estado, houve alguns fatores que diminuíram produtividades, como a questão de bacteriose e doenças, além do excesso de chuva ou falta de luminosidade que prejudicaram a polinização.

Apesar de estimativa de boa produtividade, baixa dos preços preocupa
Em oposição ao cenário animador de produção, os preços ofertados tem preocupado as cooperativas gaúchas. Em queda, os preços internos da soja operam nos menores patamares nominais desde agosto de 2020. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), compradores não demonstram interesse em adquirir volumes significativos da oleaginosa.

Paulo Pires reforça que a questão predominante hoje são os preços, que “desceram ladeira abaixo”, conforme o dirigente. "Nós temos preços de soja com o menor preço praticado no Rio Grande Sul desde 2020. E no milho os preços são praticamente a metade do ano passado, mesmo com uma baixa dos custos de produção, ele foi impactado", afirma. Sobre o cenário de preços, o presidente da FecoAgro/RS avalia que não há uma perspectiva de mudança. 

– A única questão talvez seja o dólar. O restante é do mercado mundial. Existe essa novidade da Argentina com previsão de safra de mais que o dobro do ano passado, e essa expectativa também do milho safrinha do Centro-Oeste, com o atraso do plantio, pode impactar numa menor oferta. É uma coisa do futuro que ainda não se intensificou, não colou na precificação dos produtos ainda, assim como a questão da soja também, essa dita quebra que nós temos na grande região produtora ali em Mato Grosso, enfim, também não se consolida ainda, não se consolida como um fator de precificação –, explica.

O dirigente frisa que as cooperativas agropecuárias gaúchas estão se organizando para receber talvez a maior safra de soja dos últimos anos, após dois anos de estagnação. De acordo com a Cooperativa Cotrirosa, o preço atual da soja está em R$ 115. No mesmo período do ano passado, o preço pago aos produtores era de R$ 163, o que representa uma queda de quase R$ 50.

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