Procura por sistemas de irrigação diminuiu em virtude do El Niño
Técnica também é estratégica para além dos períodos de estiagem, podendo ser aproveitada também no período entre as chuvas
Publicado em 10/01/2024 às 17:00
Capa Procura por sistemas de irrigação diminuiu em virtude do El Niño

O ano de 2023 foi marcado por chuva em excesso em todo o Rio Grande do Sul, em virtude da atuação do fenômeno climático El Niño. Isso fez com que a procura por sistemas de irrigação, que havia sido alto nos anos anteriores, marcados por forte estiagem, ficasse bem abaixo neste último ano.  

Na região Noroeste do Estado, os acumulados de chuva ultrapassaram os 3.500mm no ano de 2023, o que é praticamente o dobro da média dos últimos anos. Em Frederico Westphalen, de acordo com o engenheiro agrônomo e chefe do Escritório Municipal da Emater, Mateus Stefanello, além da grande quantidade de chuva, também não há no município reservatórios com volume de água suficiente, em muitos casos, para poder manter o volume de água suficiente fazer irrigações que sejam viáveis ao produtor. 

– Nós tivemos alguns projetos implantados entre 2003 até 2015, e com essas sucessivas estiagens que tivemos, alguns produtores fizeram reservatórios e instalaram pequenos sistemas de irrigação. Porém esses reservatórios não conseguiram manter água disponível para irrigar da forma adequada. Então hoje o nosso maior nicho para poder fazer irrigação seriam propriedades na beira de rios, que teriam uma disponibilidade de água maior. Então nós não temos muitas propriedades viáveis hoje para instalação dos sistemas. Em virtude disso e somado ao período de El Niño, a procura está bem pequena –, explicou Stefanello.

Irrigação também é estratégica para além dos períodos de estiagem
Em períodos de falta de chuvas, o sistema de irrigação na propriedade é fundamental para garantir uma segurança nas culturas, seja de grãos ou de pastagens. Mas essa técnica também é estratégica para além dos períodos de estiagem. A tecnologia pode ser aproveitada também no período entre as chuvas, para manter a uniformidade no fornecimento de água.

Uma das alternativas é realizar a armazenagem da água decorrente das chuvas intensas registradas nos últimos meses. Desta forma, é mais uma estratégia que pode ser adotada para o enfrentamento dos desafios percebidos nas estiagens, que assolaram a produção agropecuária nos últimos três anos, com prejuízos às propriedades e à economia regional.

– A irrigação é muito importante e tem um papel fundamental nas propriedades onde tem esses sistemas implantados. Ela é uma garantia da produção, mesmo em anos de falta de chuva –, destacou Mateus Stefanello.

A irrigação é um dos eixos prioritários de atuação da Emater/RS-Ascar, em parceria com a Seapi, sendo que nos últimos dois anos aproximadamente 600 projetos de crédito foram encaminhados pela Instituição aos agentes financeiros, de modo a viabilizar a tecnologia em propriedades rurais do Rio Grande do Sul.

Aliada a esta estratégia de estar preparado para a melhor distribuição de água nos períodos de estiagem e entre as chuvas, o agricultor também deve voltar sua atenção à capacidade de armazenamento de água no solo, especialmente em relação à necessidade de descompactação e fertilização adequada, assim como realizar plantio no período recomendado para que a temperatura e a radiação solar sejam adequadas.

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