Apesar das chuvas, segue colheita do trigo no Rio Grande do Sul
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, em torno de 10% da área se encontra no estágio de floração
Publicado em 12/10/2023 às 17:00
Atualizado em 12/10/2023 às 07:58
Capa Apesar das chuvas, segue colheita do trigo no Rio Grande do Sul

Foto de José Schafer, da Emater/RS-Ascar na região de Santa Rosa

Apesar das precipitações em parte do período, os triticultores gaúchos aproveitaram as janelas de tempo mais seco para prosseguir com a colheita. Estima-se que o índice atingiu 11% da área de cultivo, que é de 1.505.704 hectares nesta safra. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quarta-feira, 11, pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), mesmo sem as condições ambientais ideais, a colheita do trigo foi conduzida com o objetivo de assegurar a qualidade de um produto que ainda atenda aos padrões de comercialização estabelecidos para a indústria de moagem. 

A cultura do trigo no RS evolui rapidamente para o estágio de maturação, que alcançou 42%, sendo que 38% da área estão em enchimento de grãos, e 9% em floração. Devido às condições climáticas desfavoráveis, há estimativa de redução no potencial produtivo. Há preocupação generalizada entre triticultores relacionada ao baixo preço pago pelo grão, o que resulta na necessidade de alcançar altas produtividades para obter algum lucro, ou pelo menos liquidar os financiamentos referentes ao custeio das lavouras. Neste contexto, ainda há considerável risco de desvalorização do grão devido a problemas de qualidade, resultantes do excesso de umidade e da ação de doenças, como giberela.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, em torno de 10% da área se encontra no estágio de floração; 20% estão em enchimento de grãos; e 60%, em fase de maturação. As áreas em colheita representam 10%, e os resultados obtidos indicam redução de 12% em relação às projeções iniciais, que na região são de 3.026 kg/ha.

CULTURAS DE VERÃO
Milho -
A expansão da área semeada avançou pouco e atinge 65% da estimativa de cultivo planejada para a Safra 2023/2024, que é de 817.521 hectares no RS. A frequência das chuvas e os períodos de umidade constante, na metade Norte do Estado, têm impedido um avanço mais significativo. As lavouras atualmente se encontram na fase de desenvolvimento vegetativo. É fundamental que ocorra um período de maior incidência de radiação solar para promover o crescimento e o desenvolvimento mais vigorosos e robustos das lavouras.

Na região de Santa Rosa, o plantio do milho estabilizou em 81% da área prevista. Os demais 19% serão semeados na safrinha, em janeiro. Os produtores que utilizam um nível mais elevado de insumos aproveitaram o período de estiagem, no final da semana, para aplicar fungicidas nas lavouras, visando garantir maior produtividade. A população de cigarrinha continua controlada na região, e não foram relatadas infestações desde as últimas chuvas torrenciais. As perdas causadas por granizo são pontuais, variando de intensidade, mas podem aumentar devido ao desenvolvimento inadequado das lavouras.

Milho silagem - A área de cultivo está estimada em 364.291 hectares, e a produtividade prevista é de 39.088 kg/ha. A cultura encontra-se em fase de implantação. Observa-se um escalonamento de plantio, e algumas regiões têm optado pelo cultivo em um período mais tardio. Até o momento, 35% da área projetada foi semeada.

Feijão 1ª safra - A cultura encontra-se em fase de implantação. As chuvas, na metade Norte do Estado, impediram o progresso e, na metade Sul, a operação de implantação começou a se expandir. No entanto, a abrangência mais ampla no estabelecimento da primeira safra somente ocorrerá a partir de dezembro, quando se iniciarem as operações na principal região produtora, nos Campos de Cima da Serra. Para a Safra 2023/2024, projeta-se área de cultivo de 29.053 hectares. A estimativa de produtividade é de 1.775 kg/ha. 

PASTAGENS E CRIAÇÕES
As condições climáticas favoráveis estimularam o desenvolvimento das pastagens de azevém, resultando em rebrotes significativos, que variam de acordo com a gestão da adubação e a carga animal no pasto. O período também foi propício para o crescimento das áreas de campo nativo; há boa exposição solar e aumento das temperaturas após alguns dias mais frios. O manejo adequado da lotação contribuiu para que as taxas de crescimento evoluíssem. Já em algumas regiões, o excesso de chuvas impactou o uso das pastagens, tanto cultivadas quanto nativas.

BOVINOCULTURA DE CORTE - As chuvas intermitentes e as temperaturas amenas proporcionaram melhorias para o estado nutricional do rebanho. Os animais estão recuperando suas condições corporais e acessando o campo nativo, que está em processo de recuperação. É fase de parições e de preparo das matrizes para a temporada reprodutiva. Quanto à sanidade, segue o cuidado em virtude do início das infestações por carrapato.

BOVINOCULTURA DE LEITE - Em praticamente todas as regiões, houve dificuldade no manejo dos animais e atrasos na implantação das pastagens de verão, devido às chuvas excessivas. Apesar das condições climáticas chuvosas, a saúde e o estado físico dos bovinos permaneceram estáveis. A desvalorização dos preços do leite tem sido fonte de apreensão e estreitamento das margens de lucro dos produtores, especialmente neste período do ano, quando os preços normalmente se situam acima da média. Adicionalmente, a perspectiva de recuperação nos preços é baixa, o que representa um fator desmotivador.

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Almir Felin